Polícia revelou identidade dos investigados e reforçou que não há dúvidas sobre a participação do crime organizado na morte do ex-delegado
Lívia Gennari Publicado em 18/09/2025, às 12h31 - Atualizado às 17h55
A Justiça de São Paulo decretou, nesta quinta-feira (18), a prisão de Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, apontado como o quarto suspeito de envolvimento na execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros no início da semana, em Praia Grande, no litoral paulista.
De acordo a investigação, Luiz Antonio teria ordenado que Dahesly Oliveira Pires, de 24 anos, buscasse uma das armas usadas no assassinato na Baixada Santista. O armamento ainda não foi localizado. Para a Justiça, há indícios de autoria e materialidade do crime contra os quatro investigados, além de colocar risco às investigações caso eles permaneçam em liberdade.
Prisões e foragidos
Dahesly foi presa na madrugada desta quinta-feira (18), e é suspeita de fornecer apoio logístico aos criminosos. Dependente química e com passagem por tráfico de drogas, ela teria transportado o fuzil usado na execução.
Além da mulher, outros dois suspeitos já foram identificados:
Ambos tiveram suas digitais encontradas no veículo Renegade, que foi abandonado pelos criminosos após a execução do ex-delegado. Os dois seguem foragidos.
Envolvimento do crime organizado
Durante coletiva de imprensa, o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, divulgou nomes e fotos dos suspeitos. Ele afirmou que não há dúvidas sobre a ligação da execução com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
"Pra nós, não resta dúvida que há participação do crime organizado. O que ainda está em aberto é a motivação", afirmou Derrite.
O delegado-geral de São Paulo, Arthur Dian, informou que a polícia também investiga o possível envolvimento de Fernando Gonçalves dos Santos, um criminoso conhecido pelos apelidos “Azul” ou “Colorido” na execução de Ruy Ferraz. Apontado como uma das lideranças do PCC, ele seria responsável por coordenar o tráfico de drogas na Baixada Santista. Cerca de um mês atrás, "Azul" deixou a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Antecedentes do caso
Derrite lembrou que, em 2011, a Polícia Civil já havia recebido informações de que Ruy poderia ser alvo do crime organizado. Na ocasião, um fuzil e duas pistolas foram apreendidos, e três suspeitos foram presos, entre eles Francisco Aurílio, o “XT”. A hipótese é de que a execução tenha ligação com sua trajetória de enfrentamento à facção paulista.
O nome de Ruy voltou a aparecer em 2019, quando o Ministério Público de São Paulo identificou que o PCC havia decretado sua morte após a transferência de Marcola para um presídio federal. Um bilhete apreendido pela polícia na zona leste da capital confirmava a ordem da cúpula da facção para executar o delegado.
As investigações seguem em andamento sob responsabilidade do DHPP, comandado pela delegada Dra. Ivalda Aleixo, com o objetivo de identificar todos os envolvidos e esclarecer as motivações reais por trás do ataque.