Ruy Ferraz Fontes atuou por mais de 40 anos na Polícia Civil, foi referência no combate ao PCC e ocupava a Secretaria de Administração do município

Lívia Gennari Publicado em 16/09/2025, às 22h40
O ex-delegado-geral de São Paulo e atual secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes (63), foi morto a tiros na noite desta segunda-feira (15), enquanto dirigia um carro pela Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, no bairro Nova Mirim, próximo ao Fórum da cidade.
De acordo com a Polícia Militar, homens armados desceram de outro veículo e dispararam diversas vezes contra o automóvel do ex-delegado. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a morte foi confirmada ainda no local.
A Prefeitura de Praia Grande informou que um homem e uma mulher que passavam pela região também foram baleados. Eles receberam atendimento do Samu e foram encaminhados para a UPA Quietude, e depois foram transferidos ao Hospital Municipal Irmã Dulce. Segundo o município, ambos não correm risco de morte.
Câmeras de segurança registraram a ação criminosa: as imagens mostram o momento em que os suspeitos perseguem o veículo da vítima até que ele colide contra um ônibus. Em seguida, o grupo desembarca do carro e dispara contra Ruy.
Ameaças do PCC
A atuação contra o crime organizado fez de Fontes um alvo do PCC. Em 2019, o Ministério Público de São Paulo revelou que a facção havia determinado sua morte após a transferência de lideranças para presídios federais. Um bilhete encontrado pela polícia na zona leste da capital confirmava a ordem da cúpula para executar o delegado. Todos os nomes apontados como responsáveis pela ordem de morte do ex-delegado-geral foram identificados e denunciados pelo MPSP.
Carreira na Polícia Civil
Com mais de 40 anos dedicados à Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes chefiou a corporação entre 2019 e 2022. Ao longo da carreira, comandou unidades estratégicas como o Deic, o Denarc, a Divisão de Homicídios e o Decap. Foi pioneiro nas investigações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e teve papel central no enfrentamento ao crime organizado em São Paulo.
Nos anos 2000, sua equipe indiciou toda a cúpula da facção por formação de quadrilha. Fontes também foi responsável por operações que resultaram na prisão de mulheres de líderes históricos do PCC, como Aurinete Carlos Félix, esposa de Cesinha, e Petronilha de Carvalho, companheira de Geleião.
Investigação
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a cena do crime foi preservada para perícia. Policiais militares localizaram o veículo usado pelos criminosos, que foi queimado, mas até o momento nenhum suspeito foi preso.
As autoridades ainda não sabem quem matou o ex-delegado nem o motivo do crime. Duas hipóteses são consideradas neste momento para explicar o homicídio:
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), determinou que a Polícia Civil se mobilize totalmente para identificar e prender os responsáveis pelo crime.
“Estou estarrecido. É muita ousadia. Uma ação muito planejada, por tudo que me foi relatado. O delegado Ruy percebeu que estava sendo atacado, tentou escapar da emboscada, mas foi covardemente assassinado”, declarou Tarcísio.
O atual delegado-geral, Arthur Dian, deixou a capital paulista e foi ao litoral para acompanhar pessoalmente as investigações iniciais.
O secretário de Segurança Pública de SP, Guilherme Derrite, lamentou a morte do ex-delegado e determinou a criação de uma força-tarefa, com prioridade máxima definida pelo governo estadual.
Em nota, a SSP-SP lamentou a perda:
"A Secretaria da Segurança Pública lamenta, com profundo pesar, a morte do delegado Ruy Ferraz Fontes, ocorrida nesta segunda-feira (15), em Praia Grande, vítima de um atentado no bairro Vila Mirim."
A Prefeitura de Praia Grande também manifestou solidariedade aos familiares e destacou a contribuição de Fontes à gestão municipal.
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