Crime racial

“Era brincadeira”, diz argentina após imitar macaco a funcionários de bar em Ipanema

Acusada afirma que não sabia que a conduta era crime no Brasil

Após repercussão, Justiça determina restrições à circulação da advogada e apreensão de documentos - Imagem: Reprodução/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 18/01/2026, às 09h28

Uma advogada argentina está sendo investigada por racismo após um episódio ocorrido em um bar de Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Em depoimento à polícia, ela afirmou que os gestos de imitar um macaco, registrados em vídeo, não tiveram a intenção de ofender funcionários do local e teriam sido feitos como uma brincadeira entre amigas.

Identificada como Agostina Páez, de 29 anos, a mulher disse ter ficado surpresa ao ser intimada. Segundo sua versão, os atendentes teriam feito gestos obscenos e tentado enganá-la durante o atendimento, o que teria provocado sua reação. Ela sustenta que não direcionou os gestos aos funcionários e declarou desconhecer que esse tipo de conduta configura crime no Brasil.

O delegado responsável pelo caso, Diego Salarini, da 11ª DP, afirmou que a investigação segue em andamento e que a explicação apresentada pela argentina foi registrada formalmente. As imagens anexadas ao inquérito mostram a mulher chamando funcionários de “mono”, termo pejorativo em espanhol, além de imitar sons e movimentos associados a um macaco.

Agostina reconheceu que sua atitude foi inadequada, mas reiterou que não teve intenção de ofender diretamente os trabalhadores do bar. Ela afirmou ainda que desconhecia a legislação brasileira sobre crimes raciais.

Diante da repercussão do caso e do risco de a investigada deixar o país, a Justiça determinou a apreensão de seus documentos e impôs restrições à sua circulação. Como a entrada no Brasil ocorreu apenas com carteira de identidade, a Polícia Federal foi acionada para impedir uma eventual saída do território nacional. Também foi determinada a utilização de tornozeleira eletrônica.

O episódio aconteceu após uma discussão envolvendo o pagamento da conta. De acordo com o relato do funcionário que registrou a ocorrência, a mulher se exaltou quando o valor foi conferido e, durante o desentendimento, passou a proferir ofensas de cunho racial. O caso segue sob apuração da Polícia Civil.

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