Maus Tratos

Barra Funda enfrenta crise sanitária com abandono de mais de 20 gatos em terreno

Moradores se mobilizam para resgatar e proteger os felinos em risco

Moradores se mobilizam para resgatar e proteger os felinos em risco - Imagem: Acervo

Gabriela Thier Publicado em 01/02/2025, às 18h59

Na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, um alarmante caso de abandono de animais está em evidência. Moradores de uma pequena vila deixaram para trás mais de 20 gatos, incluindo adultos não castrados, filhotes e gatas prenhas, ao se mudarem do local.

Com a compra do terreno e a demolição das casas, os felinos abandonados enfrentam condições severas. Eles sofrem com a falta de alimento, estão se reproduzindo sem controle e muitos têm perecido entre os escombros e o lixo. A situação se agrava com a iminência de novas demolições no local.

Imagem: Acervo

 

O abandono de animais é considerado crime no Brasil, caracterizado como uma forma de maus-tratos que pode levar à penalização com multa ou até cinco anos de prisão, especialmente se resultar em sofrimento extremo ou morte dos animais.

Nas proximidades do terreno, uma sucata se tornou abrigo para alguns desses gatos, que tentam sobreviver em um ambiente extremamente perigoso. A movimentação constante de tratores e caçambas repletas de ferro velho representa uma ameaça real à vida dos felinos, resultando em tragédias que incluem a morte de ninhadas inteiras.

Imagem: Acervo

 

Os proprietários da sucata, que preferem permanecer anônimos, confirmaram que o prédio onde funciona o estabelecimento também será demolido e expressaram preocupação sobre o futuro dos gatos na região, mas não possuem soluções imediatas para o problema.

Diante da gravidade da situação, moradores locais têm se mobilizado para fornecer ajuda aos gatos, incluindo alimentação, resgates e iniciativas de castração. Esses esforços são realizados com recursos próprios e enfrentam a falta de um abrigo seguro onde os animais possam receber os cuidados necessários. Ana Frederico, uma das voluntárias envolvidas no resgate dos felinos, afirma: "É urgente retirar esses animais do local e tratá-los adequadamente. Não podemos contar apenas com o Centro de Zoonoses; eles precisam de hospitalização e exames específicos."

A veterinária Letícia Penteado Gaspar, especialista em felinos com 20 anos de experiência em resgates e trabalho com ONGs, alertou para os riscos associados ao aumento descontrolado da população felina e à disseminação de doenças entre eles. "Se considerarmos que cada fêmea pode gerar até quatro ninhadas por ano e que filhotes iniciam sua reprodução aos cinco ou seis meses, uma colônia inicial de 20 gatos pode rapidamente se transformar em até 700 em apenas um ano", esclareceu.

A profissional enfatizou ainda que machos não castrados podem fecundar fêmeas fora da colônia, ampliando ainda mais a quantidade de animais abandonados e a propagação de doenças graves como FIV (vírus da imunodeficiência felina) e FeLV (leucemia felina), ambas altamente contagiosas entre os gatos.

Letícia destacou a urgência na realização dos resgates e na conscientização sobre a importância da castração e da posse responsável. "Animais que têm acesso à rua estão expostos a doenças, atropelamentos e maus-tratos", advertiu. Para abordar essa questão complexa, é fundamental realizar a castração tanto dos machos quanto das fêmeas na colônia.

A Prefeitura de São Paulo ainda não forneceu informações sobre possíveis planos para ajudar esses animais abandonados. Após contato da equipe de reportagem, fiscais visitaram o local; entretanto, a assessoria de imprensa da Prefeitura afirmou que aguarda informações da área técnica sobre o assunto.

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