Ordem Mundial

Xi Jinping propõe nova governança global em cúpula com líderes não ocidentais

Durante a cúpula da OCX, Xi Jinping destaca a necessidade de uma nova governança global

Durante a cúpula da OCX, Xi Jinping destaca a necessidade de uma nova governança global - Imagem: Reprodução / X / @FoxNews

Gabriela Thier Publicado em 01/09/2025, às 19h22

Nesta segunda-feira (1), o presidente da China, Xi Jinping, apresentou a proposta da Iniciativa de Governança Global (IGG) durante um encontro que contou com a participação de 20 líderes de nações não ocidentais, entre eles o presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. A sugestão do líder chinês sugere um possível surgimento de uma nova ordem mundial.

Durante seu discurso, Xi enfatizou que a governança global enfrenta ameaças significativas oriundas da "mentalidade da Guerra Fria", do hegemonismo e do protecionismo, que continuam a "assombrar o mundo" mesmo após 80 anos desde o término da Segunda Guerra Mundial e a fundação das Nações Unidas.

"Atualmente, o mundo atravessa um novo período de turbulência e transformação. A governança global se encontra em uma encruzilhada crucial. A história nos ensina que em tempos difíceis devemos reafirmar nosso compromisso com a coexistência pacífica e fortalecer nossa confiança em uma cooperação mutuamente benéfica", declarou Xi Jinping.

A proposta foi anunciada no âmbito da Organização para Cooperação de Xangai Plus (OCX), um fórum criado em 2001 que reúne 10 países membros, além de observadores e parceiros.

O evento em Tianjin ocorre em um contexto marcado pela guerra comercial dos Estados Unidos contra diversos países, incluindo a Índia, que recentemente enfrentou tarifas de 50% impostas por Donald Trump. Os EUA também pressionam a Índia a suspender suas compras de petróleo da Rússia, uma medida que Nova Délhi rejeita.

No encontro, Modi apareceu ao lado de Xi e Putin, destacando-se pelo tom amistoso, sendo esta sua primeira visita à China em sete anos. As relações entre as duas potências asiáticas são complexas e repletas de tensões geopolíticas e disputas territoriais.

A 24ª cúpula da OCX, realizada na cidade costeira de Tianjin, coincide com as celebrações do 80º aniversário da vitória da China na Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa e na luta antifascista mundial. Esta data é significativa para os chineses, marcando o fim da Segunda Guerra Mundial em seu país. Espera-se que cerca de 50 líderes mundiais compareçam ao desfile militar agendado para o dia 3 de outubro.

Em sua fala, Xi Jinping delineou cinco princípios fundamentais para uma nova governança global: igualdade soberana entre estados; respeito ao direito internacional; prática do multilateralismo; enfoque centrado nas pessoas; e adoção de medidas concretas. O presidente chinês argumentou que todos os países devem ser considerados participantes iguais na governança global, independentemente de seu tamanho ou poder econômico.

Analistas interpretam a iniciativa como uma resposta à guerra tarifária promovida pelos EUA sob a administração Trump. Xi criticou ainda o unilateralismo nas relações internacionais, que se intensificou durante esse período.

O presidente chinês defendeu uma visão colaborativa para a governança global, enfatizando a necessidade de consultar amplamente as nações envolvidas e promover um sistema mais justo e solidário. Ele ressaltou que a OCX deve continuar a fomentar a integração entre os países euroasiáticos e buscar soluções cooperativas para os desafios globais.

Além disso, Xi anunciou um pacote financeiro destinado aos membros da OCX, totalizando US$ 280 milhões em ajuda e um empréstimo adicional de 10 bilhões de yuans aos bancos da organização. As iniciativas incluem áreas como inteligência artificial, combate ao narcotráfico e energia sustentável.

O presidente russo Vladimir Putin também expressou apoio à proposta chinesa e destacou o interesse crescente de outros países em integrar-se à OCX. Ele acredita que essa organização pode liderar esforços rumo a um sistema de governança global mais equitativo.

Por sua vez, o primeiro-ministro indiano Modi agradeceu à China pela realização do evento e sublinhou os diálogos produtivos com Putin sobre questões bilaterais e regionais, incluindo segurança e comércio.

A China e a Índia estão empenhadas em melhorar suas relações históricas tensas, com o encontro bilateral sendo visto como parte desse esforço contínuo. O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que as duas nações são parceiras estratégicas cujas colaborações superam suas discordâncias.

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