Cerimônia ocorrerá na Capela Sistina, que permanecerá fechada ao público durante todo o período
William Oliveira Publicado em 28/04/2025, às 09h18
O Vaticano anunciou que o conclave para a escolha do novo papa da Igreja Católica começará no dia 7 de maio. A confirmação foi feita nesta segunda-feira (28), após uma reunião entre os cardeais, que discutiram a transição na liderança da Igreja.
A cerimônia ocorrerá na Capela Sistina, que permanecerá fechada ao público durante todo o período do conclave.
Durante coletiva, o cardeal argentino Ángel Sixto Rossi, arcebispo de Córdoba, expressou otimismo quanto à possibilidade de unidade entre os cardeais. Ele afirmou que "há esperança de unidade" no processo de seleção do novo líder religioso.
Entre os temas debatidos, muitos cardeais manifestaram a intenção de dar continuidade ao foco pastoral estabelecido pelo Papa Francisco, com ênfase nas questões sociais e na oposição à guerra. No entanto, setores mais conservadores demonstraram interesse em reforçar a união e reafirmar as doutrinas fundamentais destacadas pelos papas João Paulo II e Bento XVI.
O cardeal britânico Vincent Nichols, arcebispo de Westminster, ressaltou a importância da unidade na Igreja e minimizou possíveis divisões. "O papel do papa é essencialmente nos manter unidos e essa é a graça que recebemos de Deus", declarou.
Já o cardeal venezuelano Baltazar Enrique Porras Cardozo demonstrou confiança em uma decisão rápida, prevendo que o conclave poderá se encerrar em dois a três dias.
O Colégio Cardinalício reúne representantes de várias regiões do mundo, muitos dos quais foram nomeados por Francisco nos últimos 12 anos. Contudo, a falta de familiaridade entre vários cardeais, principalmente entre os 20 nomeados recentemente em dezembro, pode gerar incertezas no processo, que exige o consenso de dois terços dos 135 cardeais aptos a votar.
Somente cardeais com menos de 80 anos podem votar. A participação total ainda é incerta, uma vez que um cardeal espanhol já confirmou ausência por motivos de saúde.
Um ponto polêmico envolve o cardeal Angelo Becciu, ex-alto funcionário do Vaticano, que renunciou em 2020 após acusações de peculato e fraude. Embora tenha participado das reuniões preparatórias, sua elegibilidade para votar é contestada, pois ele aparece como "não eleitor" nas estatísticas oficiais. Após inicialmente afirmar que não participaria de conclaves, Becciu agora reivindica o direito ao voto. Especialistas em direito canônico revisam as regras para esclarecer a situação.