Comércio global enfrenta instabilidades, com tarifas elevadas impactando cadeias de suprimentos e economias emergentes
Gabriela Thier Publicado em 11/04/2025, às 17h59
As tarifas abrangentes sobre importações, implementadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as respectivas contramedidas, podem resultar em um impacto "catastrófico" para os países em desenvolvimento, superando em gravidade os cortes na ajuda externa. Esta análise foi apresentada por Pamela Coke-Hamilton, diretora da agência de comércio das Nações Unidas, durante uma coletiva de imprensa na última sexta-feira (11).
De acordo com o Centro de Comércio Internacional (ITC), o comércio global pode sofrer uma contração que varia de 3% a 7%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) mundial pode diminuir em 0,7%. Os dados indicam que os países em desenvolvimento serão os mais prejudicados nesta situação. "Esse cenário é alarmante", afirmou Pamela Coke-Hamilton à Reuters. Ela destacou que se a tensão entre China e EUA persistir, o comércio bilateral poderá cair até 80%, resultando em consequências devastadoras para a economia global.
No cenário atual, os mercados globais estão enfrentando instabilidades significativas. Recentemente, Trump anunciou uma moratória de 90 dias nas tarifas aplicadas a diversas nações, mas ao mesmo tempo, elevou as tarifas sobre produtos chineses para uma taxa efetiva de 145%. A resposta da China foi rápida: o país aumentou suas tarifas sobre importações norte-americanas para 125%, intensificando uma guerra comercial que pode afetar severamente as cadeias de suprimentos globais.
Pamela Coke-Hamilton enfatizou que "as tarifas podem ter um efeito muito mais nocivo do que a eliminação da ajuda externa", alertando que as economias em desenvolvimento correm o risco de reverter os avanços econômicos conquistados nos últimos anos.
Além disso, países com menos desenvolvimento, como Lesoto, Camboja, Laos, Madagascar e Myanmar, podem tentar fortalecer suas relações comerciais regionais para compensar a perda do mercado americano para suas exportações, conforme indicado pelo ITC.
No caso específico de Bangladesh, que é o segundo maior exportador mundial de vestuário, estimativas indicam que o país pode perder até US$ 3,3 bilhões em exportações anuais para os EUA até 2029 se a tarifa norte-americana de 37% permanecer após o período de pausa. Em busca de alternativas, o país pode direcionar seus esforços para mercados europeus que ainda apresentam potencial de crescimento, sugeriu Coke-Hamilton.
As projeções apresentadas pelo ITC são fundamentadas em dados coletados antes da pausa de 90 dias anunciada por Trump e das subsequentes elevações nas tarifas sobre as importações chinesas.