Sequência dos últimos anos preocupa cientistas e amplia risco de eventos climáticos extremos
Gabriela Nogueira Publicado em 15/01/2026, às 13h01
O ano de 2025 consolidou um marco preocupante no histórico climático do planeta. Dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que o período ficou entre os três mais quentes já registrados, confirmando uma sequência inédita de calor extremo em escala global.
A avaliação reúne diferentes bases de dados internacionais e mostra um consenso raro entre centros de monitoramento do clima. Em todos os levantamentos analisados, os últimos três anos aparecem como os mais quentes desde o início das medições sistemáticas, no século XIX. O recorde absoluto permanece com 2024, mas 2025 manteve temperaturas elevadas por tempo suficiente para acender novos alertas.
Um dos pontos que mais chama a atenção dos cientistas é a permanência da temperatura média global acima do patamar de 1,5 grau em relação ao período pré-industrial por um intervalo prolongado. Esse limite é considerado simbólico porque marca a fronteira a partir da qual os efeitos das mudanças climáticas tendem a se intensificar de forma mais frequente e difícil de reverter.
Especialistas destacam que esse número não representa um ponto de ruptura imediato, mas reforçam que cada fração adicional de aquecimento amplia o risco de eventos extremos. Ondas de calor mais longas, chuvas intensas, secas prolongadas e tempestades mais destrutivas passam a ocorrer com maior regularidade, afetando populações, ecossistemas e sistemas produtivos.
Os oceanos também refletem esse cenário. Em 2025, o acúmulo de calor nas camadas superficiais dos mares atingiu níveis recordes, um fator diretamente ligado ao fortalecimento de tempestades, ao aumento do nível do mar e ao estresse de ambientes marinhos. Ao mesmo tempo, a extensão do gelo marinho nos polos caiu a patamares historicamente baixos, enfraquecendo um dos principais reguladores naturais da temperatura do planeta.
Apesar dos compromissos assumidos por governos no Acordo de Paris, os dados mais recentes indicam que a trajetória atual das emissões de gases de efeito estufa segue distante do necessário para conter o aquecimento global. A perspectiva de ultrapassar de forma duradoura o limite de 1,5 grau ainda nesta década deixou de ser uma hipótese remota e passou a ser tratada como um cenário provável.
Para a comunidade científica, o debate agora se desloca para a forma como sociedades e governos vão lidar com um nível de aquecimento mais alto do que o planejado. Isso envolve tanto acelerar a redução das emissões quanto investir em adaptação, preparando cidades, sistemas de saúde e infraestrutura para um clima mais instável e extremo.