O órgão também apontou as ações de Israel com tendo “características de genocídio”
Gabriela Thier Publicado em 14/11/2024, às 18h01
Um comitê especializado das Nações Unidas divulgou recentemente um relatório incisivo que examina as práticas militares de Israel na Faixa de Gaza, classificando-as como tendo "características de genocídio". Este documento, que está programado para ser apresentado na Assembleia Geral da ONU na próxima segunda-feira (18), destaca o elevado número de civis palestinos mortos e as condições adversas impostas a essa população, que, segundo o relatório, colocam suas vidas em risco de maneira intencional. O período analisado vai do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 até julho deste ano.
O relatório faz duras críticas a Israel, acusando o país de empregar a fome como uma estratégia de guerra e impor um "castigo coletivo" à população palestina. Em fevereiro, forças israelenses teriam lançado mais de 25 mil toneladas de explosivos sobre Gaza, quantidade comparável ao impacto de duas bombas nucleares. De acordo com o comitê, tais ações resultaram em uma crise humanitária devastadora com consequências severas para as gerações futuras. A Human Rights Watch (HRW) também se pronunciou sobre a situação, relatando que mais de 90% dos habitantes de Gaza foram forçados a abandonar suas casas devido ao conflito.
O documento afirma ainda que mesmo áreas previamente consideradas seguras não foram poupadas dos bombardeios israelenses. Em relação à crise alimentar, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou na última quarta-feira sobre a deterioração dos mercados locais, enquanto a UNRWA, agência da ONU dedicada ao apoio aos palestinos, classificou a atual situação como o pior momento já registrado na região.
Adicionalmente, a ONU reportou que todas as tentativas de enviar ajuda humanitária ao norte de Gaza foram bloqueadas ou negadas por autoridades israelenses. Na mesma semana, a UNRWA destacou que Israel não cumpriu o prazo estabelecido pelos Estados Unidos para aumentar o fluxo de assistência humanitária. A quantidade de ajuda recebida em Gaza atingiu seu menor nível em um ano, com uma média diária de apenas 37 caminhões para atender 2,2 milhões de pessoas em situação crítica.