Atos simultâneos ocorrem após casos brutais reacenderem debate sobre violência de gênero e cobrança por respostas do Estado
Gabriela Nogueira Publicado em 07/12/2025, às 10h10
O Brasil se prepara para uma grande mobilização neste domingo (7), quando mulheres de diferentes regiões do país irão às ruas em protestos simultâneos contra o crescimento dos casos de feminicídio e outras formas de violência que limitam a liberdade e ameaçam a vida feminina. A convocação, feita por coletivos, movimentos sociais e organizações dedicadas à defesa dos direitos das mulheres, busca pressionar o poder público e sensibilizar a sociedade para a gravidade da situação.
Sob o lema “Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas”, os atos pretendem dar visibilidade à indignação que se intensifica diante de uma sequência de crimes brutais cometidos nas últimas semanas. A mensagem é direta: não haverá silêncio diante da violência, e a impunidade não será mais tolerada.
As manifestações ocorrerão em diversos municípios, ocupando ruas e espaços públicos tradicionais das capitais. Em São Paulo, o ato está marcado para as 14h, em frente ao Masp. No Rio de Janeiro, a concentração será ao meio-dia, no Posto 5 de Copacabana. Em cidades como Curitiba, Manaus, Campo Grande, Belo Horizonte, Brasília, São Luís e Teresina, horários e locais já foram amplamente divulgados pelos organizadores.
A mobilização nacional ganhou força após feminicídios recentes que chocaram o país. Na sexta-feira (5), o corpo carbonizado da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, foi encontrado em Brasília. O soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, confessou o assassinato e está detido no Batalhão da Polícia do Exército. Dias antes, o atropelamento brutal de Tainara Souza Santos, arrastada por mais de um quilômetro enquanto permanecia presa sob um veículo, voltou a expor a vulnerabilidade das mulheres diante de relacionamentos abusivos. No Rio de Janeiro, duas funcionárias do Cefet foram assassinadas a tiros por um colega que tirou a própria vida em seguida, ampliando o sentimento de urgência.
Os números reforçam a gravidade do cenário: cerca de 3,7 milhões de brasileiras relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência doméstica no último ano, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero. Em 2024, o país registrou 1.459 feminicídios, o equivalente a aproximadamente quatro assassinatos por dia. Apenas nos primeiros meses de 2025, mais de 1.180 casos já foram contabilizados. O serviço Ligue 180, que acolhe denúncias e orientações, afirma registrar quase três mil atendimentos diários.
Diante da escalada da violência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou nesta semana a necessidade de um movimento nacional robusto contra crimes de gênero. Ele destacou que a participação dos homens é essencial para transformar a cultura que naturaliza agressões e perpetua desigualdades.
A expectativa dos organizadores é que os atos deste domingo marquem um novo momento de mobilização social, dando visibilidade às vítimas e pressionando autoridades a reforçar políticas públicas de prevenção, acolhimento e punição de agressores.