O presidente brasileiro enfatiza que a saúde está ligada a fatores como educação, moradia e renda
Gabriela Thier Publicado em 07/07/2025, às 14h46
Durante a abertura do segundo dia da cúpula de líderes do Brics, realizada no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a necessidade de ampliar o espaço fiscal dos países do Sul Global para garantir condições de vida saudáveis para suas populações. O chefe de Estado brasileiro destacou que investimentos em áreas essenciais como saneamento básico, alimentação adequada, educação, moradia digna e geração de emprego são fundamentais para assegurar o direito à saúde.
"Não há direito à saúde sem investimento em saneamento básico, alimentação adequada, educação de qualidade, moradia digna, trabalho e renda", afirmou Lula em sua fala aos demais líderes presentes na cúpula.
O presidente reiterou que a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS 3), que visa promover saúde e bem-estar, requer uma gestão fiscal robusta. O espaço fiscal refere-se à capacidade dos governos de aumentar seus gastos em áreas prioritárias.
Lula também abordou as questões sociais que contribuem para o aumento das doenças nos países em desenvolvimento, ressaltando a relação entre fatores como renda, escolaridade, gênero e raça com a saúde da população. Ele observou que diversas doenças, que causam alta mortalidade em nações do Sul Global, já teriam sido erradicadas se afetassem países do Norte Global.
Ao destacar a importância da ciência e da transferência de tecnologia, o presidente expressou a urgência de restaurar o papel central da Organização Mundial da Saúde (OMS) no enfrentamento das pandemias e na promoção da saúde global.
Além disso, Lula anunciou a criação de uma nova parceria entre os membros do Brics focada na eliminação de doenças socialmente determinadas, visando superar desigualdades através de melhorias em infraestrutura física e digital.
O líder brasileiro mencionou também os avanços já conquistados pelo Brics, como a consolidação da Rede de Pesquisa de Tuberculose, que conta com o apoio do Novo Banco de Desenvolvimento e da OMS. "Estamos liderando pelo exemplo", destacou Lula. "Colocando a dignidade humana no centro de nossas decisões".
Para contextualizar, o Brics é composto por 11 países-membros: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia. Essas nações representam cerca de 39% da economia global e 48,5% da população mundial. Além dos membros plenos, há países parceiros como Belarus e Bolívia que não têm direito a voto nas deliberações.
A organização busca fomentar a cooperação entre os países do Sul Global e promover um tratamento mais equitativo nas instâncias internacionais. A presidência do Brics é rotativa entre os membros e será transferida ao Brasil em 2026 para a Índia.