A proposta israelense de trégua de 45 dias é rejeitada pelo Hamas, que considera as condições inaceitáveis para um acordo
Gabriela Thier Publicado em 18/04/2025, às 11h51
O grupo Hamas manifestou sua intenção de buscar um acordo global que encerre as hostilidades em Gaza, propondo a troca de todos os reféns israelenses por palestinos encarcerados em Israel. Esta declaração foi feita por uma figura proeminente do grupo militante palestino, que criticou a oferta israelense de uma trégua temporária.
Khalil Al-Hayya, líder do Hamas em Gaza e responsável pela equipe de negociações, destacou em um discurso televisionado que a organização não aceitará mais acordos provisórios.
Hayya afirmou que o Hamas está preparado para iniciar imediatamente "negociações abrangentes" visando a libertação total dos reféns sob sua custódia, em troca do fim das hostilidades em Gaza, da soltura dos palestinos presos por Israel e da reconstrução da infraestrutura destruída na região.
O líder do Hamas criticou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, alegando que seu governo utiliza acordos parciais como estratégia para sustentar sua agenda política, a qual se fundamenta na continuidade da violência e da opressão, mesmo que isso implique em sacrificar os reféns. "Não faremos parte da validação dessa política", enfatizou Hayya.
Mediadores egípcios têm tentado reanimar o acordo de cessar-fogo estabelecido em janeiro, que havia interrompido os combates antes de ser rompido no mês passado. Contudo, os esforços têm sido pouco frutíferos, com ambos os lados se responsabilizando mutuamente pela falta de progresso.
Em resposta aos recentes comentários do Hamas, James Hewitt, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, afirmou que as declarações revelam uma falta de interesse por parte do grupo em alcançar a paz, sugerindo que sua postura se orienta mais para a perpetuação da violência. Hewitt reiterou que as condições estabelecidas durante a administração Trump permanecem inalteradas: a libertação dos reféns é condição sine qua non.
A última rodada de negociações ocorrida no Cairo, focada na restauração do cessar-fogo e na liberação dos reféns israelenses, terminou sem qualquer progresso significativo. Segundo fontes palestinas e egípcias, as conversações encerraram-se na segunda-feira sem avanços concretos.
A proposta israelense incluiu uma trégua de 45 dias para facilitar a libertação dos reféns e potencialmente iniciar diálogos indiretos com o intuito de pôr fim à guerra. No entanto, o Hamas já havia rejeitado uma das condições principais: o desarmamento. Em seu discurso recente, Hayya acusou Israel de apresentar uma contraproposta com "condições inaceitáveis".
O Hamas havia liberado 38 reféns durante um cessar-fogo iniciado em 19 de janeiro. Desde março, as Forças Armadas de Israel retomaram suas ofensivas terrestres e aéreas contra Gaza após o Hamas ter negado propostas para estender a trégua sem pôr fim ao conflito.
Por sua vez, autoridades israelenses afirmam que as operações continuarão até que os 59 reféns restantes sejam libertados e até que haja um processo efetivo de desmilitarização em Gaza. O Hamas reafirma sua posição de liberar os reféns apenas dentro do contexto de um acordo que finalize a guerra e se recusa a atender às exigências de entrega das armas.