Em seu discurso inaugural, Trump anuncia planos para declarar emergência na fronteira e reforçar a segurança nacional com tropas
Gabriela Thier Publicado em 20/01/2025, às 15h26
Após uma vitória expressiva nas eleições de 2024, Donald Trump foi oficialmente empossado como presidente dos Estados Unidos na segunda-feira, 20. Durante seu discurso inaugural, Trump não apenas expressou otimismo quanto ao futuro do país, mas também delineou um plano ambicioso repleto de medidas anti-imigração e políticas protecionistas voltadas para a economia.
Em uma cerimônia marcada por um tom de renovação, Trump declarou: "Iniciamos uma era de ouro para os Estados Unidos. A nossa soberania será restabelecida e nosso objetivo é criar uma nação próspera e livre." O presidente enfatizou que os EUA estariam em vias de se tornarem economicamente robustos novamente.
Logo após sua posse como 47º presidente do país, Trump anunciou sua intenção de declarar uma emergência na fronteira com o México, permitindo o envio de tropas para a região. Além disso, ele afirmou que pretende "retomar o controle" do Canal do Panamá e implementar tarifas sobre importações para fortalecer a proteção da indústria americana. Em uma visão audaciosa, expressou o desejo de expandir o território nacional e estabeleceu que a bandeira americana deve estar presente em Marte.
No tocante às questões sociais, Trump reiterou sua visão tradicionalista ao afirmar que os Estados Unidos devem reconhecer apenas dois gêneros: masculino e feminino. Ele ainda prometeu reintegrar funcionários públicos que foram demitidos por não apresentarem comprovantes de vacinação contra a Covid-19.
O discurso de posse também foi marcado por uma forte retórica contra a imigração ilegal, com Trump prometendo expulsar todos aqueles que entrarem no país sem autorização. Ele anunciou planos para renomear o Golfo do México para Golfo da América e declarou cartéis mexicanos como organizações terroristas.
No cenário internacional, Trump se posicionou como um potencial mediador, citando um recente acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas como um exemplo de seu impacto positivo nas relações globais. Contudo, deixou claro seu desejo de retomar o controle do Canal do Panamá, evidenciando uma postura assertiva frente à política externa.
Durante sua cerimônia de posse realizada no Capitólio, Trump fez o juramento do cargo após um encontro com o ex-presidente Joe Biden. Devido a condições climáticas adversas, a cerimônia foi realizada em um ambiente interno. O novo presidente já se preparava para assinar uma série de ordens executivas que marcarão sua administração desde os primeiros momentos.
A volta de Trump à Casa Branca ocorre após quatro anos conturbados e com questões judiciais aparentemente resolvidas. Ele conquistou as eleições de novembro de 2024 sem depender da tutela de líderes tradicionais do Partido Republicano.
Na mesma data, Trump planeja assinar múltiplas ordens executivas relacionadas à imigração e tributação que poderão ter impacto direto em diversas populações, incluindo brasileiros em situação irregular nos Estados Unidos. Tal estratégia remete aos seus primeiros dias na presidência anterior, quando implementou políticas polêmicas como a construção do muro na fronteira com o México.
A cerimônia do Dia da Inauguração também teve características distintivas, com Trump quebrando protocolos ao convidar diretamente aliados políticos internacionais em vez de representantes diplomáticos. Entre os convidados estavam líderes como Javier Milei (Argentina), Giorgia Meloni (Itália) e Viktor Orbán (Hungria), além do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assim como líderes russos e norte-coreanos não foram convidados para o evento. O presidente chinês Xi Jinping enviou seu vice em vez de comparecer pessoalmente.
Enquanto isso, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não recebeu convite para a posse; a embaixadora brasileira nos Estados Unidos representará o governo brasileiro durante a cerimônia.