A situação na fronteira se complica com bombardeios ucranianos e avanços russos em Zaporíjia
Gabriela Thier Publicado em 19/03/2025, às 15h01
Poucas horas após a concordância entre os líderes da Rússia e da Ucrânia, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, para um cessar-fogo parcial de 30 dias, os combates foram retomados na noite da última terça-feira (18). Explosões ecoaram em Kiev enquanto Zelensky discutia os termos do acordo. Durante a madrugada, uma intensa troca de ataques aéreos foi registrada, com a Ucrânia afirmando ter interceptado 72 dos 145 drones enviados pela Rússia. Entre os alvos atingidos pelos ataques estavam uma estação de energia e um hospital na cidade de Sumi.
O presidente ucraniano salientou que os ataques em curso demonstram que as forças russas mantêm uma postura ofensiva. Em contrapartida, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, acusou a Ucrânia de não se comprometer com o acordo de trégua, alegando que as forças armadas russas até interromperam um ataque após as conversações entre os dois líderes. A relação entre Putin e Trump foi descrita como "de confiança", porém a ausência de diretrizes claras sobre o cessar-fogo resultou em incertezas significativas.
Ao contrário de Zelensky, Trump não conseguiu implementar um cessar-fogo total. O Kremlin já havia enfatizado que qualquer acordo de paz dependeria da discussão dos seus termos, que incluem a entrega de territórios e a desmilitarização da Ucrânia. A situação tornou-se ainda mais complicada com o aumento dos bombardeios ucranianos na fronteira, especialmente após uma tentativa de invasão fracassada em Belgorodo. Enquanto isso, as forças russas avançam em direção à Zaporíjia, tendo conseguido romper a primeira linha de defesa pela primeira vez desde 2022.