Moção de desconfiança desafia equilíbrio político e econômico da zona do euro
Gabriela Thier Publicado em 03/12/2024, às 17h26
Os parlamentares da França se preparam para decidir, nesta quarta-feira (4), sobre uma moção de desconfiança que ameaça desmantelar a frágil coalizão liderada por Michel Barnier, aprofundando ainda mais a crise política na segunda maior economia da zona do euro.
Este acontecimento marcaria a primeira vez, em mais de seis décadas, que um governo francês seria deposto por meio de tal votação, em um contexto onde o país enfrenta dificuldades significativas para administrar seu elevado déficit orçamentário.
O início das discussões está agendado para às 16h (12h no horário de Brasília), com a votação prevista para ocorrer aproximadamente três horas depois, conforme informaram autoridades parlamentares. O presidente Emmanuel Macron, atualmente em visita oficial à Arábia Saudita, deverá retornar à França no mesmo dia.
A queda do governo poderia resultar em um vácuo político no coração da Europa, especialmente num momento em que a Alemanha também se encontra em processo eleitoral e semanas antes da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.
Após semanas de tensão crescente, a situação política atingiu seu clímax quando Barnier, que ocupa o cargo de primeiro-ministro há meros três meses, anunciou sua intenção de aprovar o orçamento da seguridade social sem submetê-lo ao voto parlamentar. A medida veio após falhas nas negociações com o partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen.
Tanto a equipe de Barnier quanto o grupo de Le Pen, que até então dava suporte à coalizão minoritária, trocaram acusações sobre o fracasso das negociações. Ambos alegaram ter buscado um acordo para reduzir os gastos com benefícios e manifestaram disposição para continuar o diálogo.
"Impedir a aprovação deste orçamento é nossa única ferramenta constitucional para proteger os franceses", declarou Le Pen aos jornalistas ao chegar ao Parlamento nesta terça-feira.