Apoio chinês

China reforça apoio ao Brasil e defende soberania em meio a tensões comerciais com os EUA

Declaração foi feita durante encontro bilateral em Pequim e ocorre em meio à ameaça americana de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros

Encontro destaca a necessidade de colaboração bilateral para enfrentar desafios globais e fortalecer a posição dos países em desenvolvimento - Imagem: Divulgação/MRE

Letícia Sales Publicado em 02/06/2026, às 11h46

A China manifestou nesta terça-feira (2) apoio à soberania, à independência e à autonomia do Brasil, além de defender o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países. A declaração ocorreu durante o Diálogo Estratégico Abrangente China-Brasil, realizado em Pequim, em um momento de crescente tensão comercial entre Brasília e Washington.

O posicionamento chinês acontece após os Estados Unidos avançarem na proposta de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, medida que ainda depende de aprovação do presidente norte-americano, Donald Trump.

Durante o encontro, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, destacou a disposição de seu país em ampliar os laços com o Brasil e com as demais nações latino-americanas.

“A China sempre foi uma amiga confiável dos países da América Latina e do Caribe e está pronta para trabalhar com os países da região, incluindo o Brasil, para aprofundar e expandir ainda mais a cooperação geral entre China e América Latina”, afirmou.

O chanceler chinês também reforçou o apoio de Pequim às decisões soberanas brasileiras.

“Apoia o Brasil na defesa de sua soberania nacional, na manutenção da independência e autonomia e na busca por maior desenvolvimento”, declarou.

Wang Yi defendeu ainda uma ampliação da cooperação bilateral para enfrentar desafios globais e fortalecer a posição dos países em desenvolvimento no cenário internacional.

“Enfrentar conjuntamente diversos desafios externos e gerar maior sinergia para os processos de modernização de ambos e para a união e o fortalecimento dos países do Sul Global”, afirmou ao comentar a construção de uma comunidade de cooperação entre China e Brasil.

Segundo o ministro, os dois países devem ampliar os intercâmbios em áreas como cultura, educação, turismo, esportes, juventude e comunicação, além de reforçar a coordenação em organismos multilaterais, incluindo a Organização das Nações Unidas e o BRICS.

Representando o governo brasileiro, o chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil compartilha do interesse chinês em aprofundar a cooperação prática e a articulação internacional entre os dois países.

Durante a reunião, Vieira também reafirmou o compromisso brasileiro com o princípio de “Uma Só China”, política defendida por Pequim que considera Taiwan parte integrante do território chinês.

O encontro reforça a aproximação entre Brasil e China em um momento de reconfiguração das relações comerciais globais e de aumento das pressões econômicas impostas pelos Estados Unidos.

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