COLUNA

Quando o medo toma conta dos parques de São Paulo

A insegurança nos parques de São Paulo revela a necessidade urgente de medidas eficazes para garantir a tranquilidade dos cidadãos - Imagem: Reprodução/Prefeitura de São Paulo

Marcelo Emerson Publicado em 20/11/2025, às 12h40

Pegar a bicicleta, caminhar, tirar fotos na roda-gigante do Villa-Lobos ou simplesmente levar as crianças aos equipamentos infantis do Parque do Piqueri deveria ser sinônimo de lazer. Mas, em São Paulo, a paisagem verde anda dividindo espaço com a sensação crescente de insegurança. A cena se repete: celulares roubados, homens em bicicletas que “somem” entre árvores depois de arrancar os pertences de visitantes, furtos silenciosos no fim da tarde. Há casos ainda mais graves de abusos ou tentativas de abusos de garotas. O que era para ser um respiro da metrópole virou alerta constante.

Não é exagero. A sensação geral entre a população é que a violência não está apenas “passando perto”: ela está entrando pelos portões.

A cena repetida por funcionários e comerciantes dos parques ajuda a explicar o motivo. No Cândido Portinari, extensão do Villa-Lobos, uma funcionária relatou ter visto o furto de um celular de uma pessoa que só queria fotografar a roda-gigante. Quiosques contam que os crimes aumentam nos fins de semana, justamente quando mais famílias estão nos parques. No Ibirapuera, grupos em bicicletas aproveitam a multidão para agir rapidamente, somem entre os caminhos e deixam para trás apenas o susto.

O governo do Estado diz que há vigilância patrimonial, monitoramento das áreas públicas, acionamento da Polícia Militar quando necessário e até apoio de equipes extras do Dejem (Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar), programa especial e voluntário em que os policiais que trabalham nos dias de folga. Também afirma ter instalado cem câmeras e reforçado a iluminação com lâmpadas de LED. Ótimo, mas a sensação de insegurança não se resolve com números em nota oficial: se o público continua com medo, e os casos ainda acontecem rotineiramente, algo não está funcionando.

Parque não é shopping center a céu aberto, mas é área pública, que deve garantir tranquilidade mínima para famílias, idosos, jovens e trabalhadores que só querem descansar depois de uma semana de trabalho, estudo e afazeres domésticos. Segurança em parques não pode depender da sorte, do horário em que o sol se põe ou da quantidade de celular à mostra.

São Paulo já aprendeu a valorizar suas áreas verdes. Agora falta protegê-las de verdade. O que pedimos não é luxo: é poder aproveitar um domingo no parque sem olhar para trás a cada passo. E isso, convenhamos, não deveria ser pedir demais.

Segurança PARQUE vigilância INSEGURANÇA

Leia também