COLUNA

Os artistas e o peso de apoiar Trump

Donald Trump, presidente dos EUA - Imagem: Reprodução / Andrea Hanks / Casa Branca

Marcelo Emerson Publicado em 10/04/2025, às 08h00

Trump volta a sacudir o mundo. O Presidente dos Estados Unidos anunciou um conjunto
de medidas econômicas cujo destaque ficou por conta da aplicação de diversas tarifas a
parceiros econômicos dos americanos.
Não me proponho a debater aqui o acerto ou o erro das decisões do chefe do Executivo
americano. Não tenho conhecimento especializado para tanto e não falta comentarista de
economia para fazê-lo.
A reflexão que pretendo levantar com esta coluna é sobre a postura de artistas que apoiam
o Presidente dos Estados Unidos e o peso das críticas que eles recebem por manifestarem
publicamente tal apoio.
A polêmica em torno do nome de Donald Trump na política dos Estados Unidos já existe
desde a sua primeira campanha presidencial. Na época, Scott Adams, criador do
personagem de tirinhas Dilbert, apoiou Trump publicamente. No livro “Ganhar de
Lavada”, o cartunista escreve com a ironia que lhe é peculiar: “Os críticos de Trump
ficavam chocados quando eu dizia algo positivo sobre o monstro horrível que poderia
criar chifres a qualquer momento. Para eles, meu suposto apoio representava um grande
risco para o país e era a coisa mais desprezível que eu poderia fazer”.
Scott Adams afirma que pagou um preço por fazer elogios públicos a Trump: “escrever
sobre ele já custara metade de meus amigos. Minha lucrativa carreira como palestrante
chegara ao fim e eu não esperava nenhum novo contrato de licenciamento para Dilbert. Eu
me tornara tóxico para qualquer tipo de grupo misto”.
Recentemente, após a eleição de Trump em 2024, outro artista que se viu envolvido em
críticas à sua posição política e apoio ao atual Presidente dos Estados Unidos foi Michael
Sweet. Dentre vários embates enfrentados em redes sociais pelo vocalista, compositor e
guitarrista da banda Stryper, exatamente em razão das opiniões pró-Trump, uma delas foi
uma resposta a Aaron Baker.
O crítico musical elogiou o mais recente disco do Stryper (“We were Kings”), mas
concluiu a resenha de modo enfático: “Eu gostaria que ele [Michael Sweet] se limitasse à
música e não à política”.
Sweet postou em suas redes sociais: “Embora eu esteja feliz que Aaron tenha gostado do
álbum, nunca me limitarei apenas à música. Se eu tivesse seguido esse conselho, nunca
teríamos cantado sobre Jesus. Eu sempre expressei o que penso. Sempre. Mas sempre
tento fazê-lo com respeito. No entanto, é incompreensível para mim que não consiga falar
sobre crenças políticas e espirituais na sociedade atual. Eu não vivo por essa regra. Nunca
viverei”.
Apenas para citar mais um caso, vale lembrar dos ataques virtuais sofridos por Bill Hudson.
Durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos, o guitarrista da banda Doro manifestou
publicamente que é membro do Partido Republicano e, naturalmente, apoiava o candidato deste
partido, Donaldo Trump. Foi o suficiente para receber uma enxurrada de mensagens hostis em
suas redes sociais. Conhecido pela personalidade forte, Bill Hudson mostrava indiferença com os
“haters”.
Esta coluna deixa uma reflexão ao invés de uma conclusão. Para isso, lembro da frase do escritor
Nelson Rodrigues: “Quando os amigos deixam de jantar com os amigos por causa de ideologia, é
porque o país está maduro para a carnificina”.

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