COLUNA

O papel do Estado no mundo atual

O papel do Estado no mundo atual - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Antônio Cruz

Marcelo Emerson Publicado em 14/11/2024, às 09h02

Escrevo esta coluna sabendo que o seu conteúdo vai na contramão de algumas tendências predominantes no mercado do debate político atual. Levanto aqui uma reflexão sobre a relação atual da sociedade civil com o poder público e faço uma afirmação que soa quase absurda: é preciso revitalizar a ideia de Estado nacional.

Cito três notícias que escancaram o alerta.

Governo Lula pressionado por agentes do mercado financeiro (e de todos os “mercados”, na verdade) a implementar pacote fiscal de contenção de gastos públicos.

Trump é eleito nos Estados Unidos prometendo taxar importações e subsidiar a produção nacional, aplicando medidas protecionistas em matéria de comércio exterior.

Empresário envolvido em lavagem de dinheiro de organização criminosa é executado à luz do dia no maior aeroporto do país.

Além disso, é consenso entre os analistas políticos que as eleições municipais penderam para a direita, espectro político que acolhe o liberalismo e seu discurso anti-Estado.

Antes de mais nada, vale lembrar que a figura do Estado moderno encontrou fundamento da ideia de contrato social, que justifica o monopólio da força em mãos do Estado na medida em que os seres humanos abandonam o estado original (estado de natureza -  quando prevalece a lei do mais forte ou do mais astuto), para viver em sociedade civil.

O estado de natureza elaborado teoricamente por Hobbes leva a humanidade para a aniquilação de si mesma. Os próprios humanos decidem viver sob a forma de uma sociedade civil, com poder soberano que lhes dê organização social, e passe a proporcionar ambiente adequado para a realização de todas as melhores potencialidades humanas.

Embora possa ser objeto de abuso, o Estado moderno é um instrumento de organização da sociedade civil. O desenvolvimento dos estados nacionais no Ocidente depois da Segunda Guerra Mundial garantiu o marco de civilização ao qual nos habituamos.

O debate sobre a conveniência, a medida e a oportunidade da atuação do Estado na sociedade é de extrema urgência, mas a infiltração de elementos anti-Estado na conversa torna o debate tolo e infantil, pois, sem Estado, como dizia Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”.

Lula ESTADO

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