Na mira da PF

PF faz buscas na casa do prefeito de Sorocaba e investiga uso de verba da Saúde para autopromoção nas redes sociais

Investigação apura lavagem de dinheiro, contratos emergenciais, irregularidades em compras públicas e gastos milionários com redes sociais

Rodrigo Manga, prefeito de Sorocaba - Imagem: Reprodução / FNP / Zeca Ribeiro

Jair Viana Publicado em 10/04/2025, às 09h59

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (10), uma operação que teve como um dos principais alvos o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos). Agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em sua residência e no gabinete do chefe do Executivo, localizado no sexto andar da Prefeitura.

No centro da investigação estão suspeitas de desvio de recursos da Saúde e uso de dinheiro público para promover a imagem pessoal do prefeito nas redes sociais. Segundo fontes ligadas à apuração, os valores destinados à comunicação digital extrapolam os canais oficiais da Prefeitura e variam entre R$ 200 mil e R$ 400 mil mensais.

A operação, que conta com a participação de mais de 100 policiais federais, também cumpriu mandados na Secretaria Municipal da Saúde, no quinto andar da Prefeitura, e em endereços comerciais e residenciais em cidades como Araçoiaba da Serra, Votorantim, Santos (SP) e Vitória da Conquista (BA).

Autopromoção com verba pública

De acordo com a PF, parte dos gastos com vídeos, impulsionamentos e conteúdos de redes sociais pode ter sido financiada com recursos desviados de contratos públicos. A produção seria voltada à imagem pessoal de Rodrigo Manga, que tem aparecido com frequência em postagens de apelo popular nas redes, muitas vezes em ações com forte conotação eleitoral.

A investigação apura se esses serviços foram pagos com verba pública por meio de contratos emergenciais, o que levantaria suspeitas de lavagem de dinheiro e desvio de finalidade na aplicação de recursos públicos.

Ex-secretário também é alvo

Outro nome atingido pela operação é o do ex-secretário de Governo da Prefeitura, Vinícius Rodrigues Denone, que já havia sido citado em denúncias anteriores por favorecimento a empresas em licitações emergenciais. Ele é apontado como uma das peças centrais na articulação dos contratos sob investigação.

Contratos emergenciais e compras sob suspeita

Além dos gastos com comunicação, a operação mira contratos emergenciais firmados pela Prefeitura nos últimos anos com organizações do terceiro setor e empresas terceirizadas. Um dos contratos foi considerado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que apontou que a “emergência” que justificou a dispensa de licitação teria sido fabricada — o que caracterizaria grave falha administrativa.

Também estão sob investigação:

Medidas judiciais e crimes investigados

A Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 20 milhões em bens e valores dos investigados e a suspensão de novos contratos com entidades envolvidas nas apurações. Os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.

Cenário político

Rodrigo Manga, que está em seu segundo mandato, é cotado como possível candidato ao Governo do Estado em 2026. A Polícia Federal também investiga se os recursos aplicados na comunicação pessoal do prefeito fazem parte de uma pré-campanha disfarçada, o que poderia configurar abuso de poder político e econômico.

Outro lado

Até a publicação desta reportagem, o prefeito Rodrigo Manga e a Prefeitura de Sorocaba não haviam se manifestado oficialmente sobre a operação.

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