Brasileiros retiram bilhões e poupança perde força em 2025
Sabrina Oliveira Publicado em 07/04/2025, às 16h29
A poupança perdeu R$ 45,7 bilhões no primeiro trimestre de 2025. O dado, divulgado pelo Banco Central, aponta que os brasileiros estão abandonando a aplicação mais tradicional do país.
Entre janeiro e março, os depósitos somaram R$ 998,51 bilhões, mas os saques alcançaram R$ 1,04 trilhão. O saldo negativo chamou a atenção do mercado.
A retirada acontece em um cenário de inflação persistente e endividamento elevado. Esses dois fatores têm forçado muitas famílias a usar a poupança como fonte emergencial de dinheiro.
Além disso, a alta da taxa Selic faz a poupança parecer menos vantajosa. Com o juro básico em 14,25% ao ano, outras aplicações de renda fixa oferecem ganhos maiores, o que incentiva a migração de recursos.
Pelas regras atuais, quando a Selic supera 8,5%, a poupança rende 0,5% ao mês mais a taxa referencial (TR). Esse retorno tem sido considerado insuficiente por muitos investidores.
Com isso, CDBs, Tesouro Direto e fundos atrelados ao CDI têm ganhado espaço. Os brasileiros, cada vez mais atentos, buscam segurança com rendimento melhor.
A fuga da poupança não aconteceu de forma linear. Veja o saldo líquido mês a mês:
Janeiro: R$ 26,22 bilhões
Fevereiro: R$ 8 bilhões
Março: R$ 11,45 bilhões
Os dados revelam um movimento contínuo, embora com intensidade variável.
A queda no saldo da poupança também pode afetar o mercado de crédito imobiliário. Isso porque parte significativa dos financiamentos habitacionais no país depende dos recursos depositados nas cadernetas.
Com menos dinheiro disponível, os bancos podem restringir o crédito ou aumentar os custos para os tomadores.