Dados do IBGE mostram que a informalidade no mercado de trabalho brasileiro caiu para 38,3%, representando 39,5 milhões de trabalhadores
William Oliveira Publicado em 27/02/2025, às 11h36
Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados que indicam uma redução na taxa de informalidade no mercado de trabalho brasileiro. No trimestre encerrado em janeiro de 2024, o percentual de trabalhadores informais foi de 38,3%, representando cerca de 39,5 milhões dos 103 milhões de trabalhadores ativos no país.
Essa diminuição é significativa quando comparada a períodos anteriores: no trimestre finalizado em outubro de 2023, a taxa era de 38,9% (40,3 milhões de pessoas), e em janeiro do ano passado, chegou a 39% (39,2 milhões). Segundo o IBGE, a queda no número de trabalhadores informais foi mais acentuada do que a redução geral da população ocupada, que recuou 0,6% no mesmo período.
William Kratochwill, pesquisador do IBGE, destacou que o número de empregados sem carteira assinada no setor privado registrou uma diminuição trimestral de 553 mil pessoas, totalizando 13,9 milhões. No entanto, houve um aumento de 3,2% na comparação anual (mais 436 mil pessoas). Por outro lado, os trabalhadores com carteira assinada no setor privado mantiveram-se estáveis em relação ao trimestre anterior e cresceram 3,6% em relação ao ano passado.
A população ocupada como um todo teve uma leve queda em relação ao trimestre anterior (-0,6%), mas um crescimento considerável quando comparado ao mesmo período do ano passado (2,4%). O nível de ocupação se estabeleceu em 58,2%, apresentando uma ligeira redução em relação ao último trimestre (58,7%) e um aumento em relação ao ano passado (57,3%).
Em relação à taxa de desemprego, observou-se uma leve alta para 6,5%, acima dos 6,2% registrados anteriormente. Contudo, este índice permanece inferior aos 7,4% contabilizados em janeiro do ano passado. O total de desempregados atingiu 7,2 milhões de pessoas, refletindo um aumento de 5,3% em relação ao trimestre anterior e uma queda anual de 13,1%. Kratochwill atribui essa elevação na taxa a mudanças na administração pública decorrentes das eleições municipais.
Além disso, a alta trimestral da taxa de desemprego foi a mais significativa para o período desde 2017. Apesar disso, o percentual atual é o menor para um primeiro trimestre desde o início da série histórica em 2012.
No que diz respeito às atividades econômicas, não houve crescimento na população ocupada entre os diferentes setores analisados trimestralmente. No entanto, as áreas de agricultura e administração pública apresentaram quedas significativas. Já na comparação anual, setores como a indústria e o comércio mostraram crescimento considerável.
A subutilização da força de trabalho permaneceu estável na comparação trimestral e teve uma redução significativa quando comparada ao mesmo período do ano passado. A população desalentada também apresentou aumento trimestral, mas diminuição no acumulado anual.
Por fim, o rendimento médio real dos trabalhadores atingiu R$ 3.343 neste último trimestre. Esse valor é um recorde na série histórica do IBGE e representa um aumento tanto em relação ao trimestre anterior quanto ao mesmo período do ano passado.