Dados do IBGE mostram que a produção industrial cresceu 1,8% em janeiro, superando o nível pré-pandemia de fevereiro de 2020
Letícia Sales Publicado em 06/03/2026, às 11h04
A produção industrial brasileira iniciou 2026 em ritmo de recuperação. Dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor cresceu 1,8% em janeiro na comparação com dezembro de 2025, registrando o melhor desempenho desde junho de 2024, quando havia avançado 4,4%.
Com o resultado, o nível da indústria nacional passou a ficar 1,8% acima do patamar observado em fevereiro de 2020, período anterior à pandemia de COVID-19. Apesar disso, o setor ainda permanece 15,3% abaixo do recorde histórico alcançado em maio de 2011.
Na comparação com janeiro de 2025, a produção industrial apresentou crescimento mais moderado, de 0,2%. Ainda assim, o resultado interrompeu uma sequência de três meses consecutivos de retração. No acumulado dos últimos 12 meses, o setor registra alta de 0,5%.
Entre os ramos industriais, o destaque positivo ficou com a produção de produtos químicos, que avançou 6,2% no período. O setor automotivo também teve desempenho expressivo, com crescimento de 6,3% na fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias. Já o segmento de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis registrou alta de 2%.
Nos dois primeiros casos, o avanço representa uma recuperação após meses de queda. A produção de veículos, por exemplo, havia acumulado retração de 10,5% nos dois meses anteriores, enquanto o setor químico registrara perda de 8,3% no mesmo intervalo.
Outros segmentos também contribuíram para o resultado positivo da indústria. As indústrias extrativas cresceram 1,2%, enquanto a metalurgia avançou 4,1%. Houve ainda expansão na produção de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,5%), bebidas (4,1%), produtos de metal (2,3%) e equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (3,3%).
Apesar do cenário de recuperação, algumas atividades apresentaram desempenho negativo. O setor de máquinas e equipamentos registrou queda de 6,7% em janeiro, marcando o segundo mês consecutivo de retração e acumulando perda de 11,8% no período. Também recuaram os segmentos de produtos alimentícios (-0,8%) e de celulose, papel e derivados (-1,9%).
Na análise por grandes categorias econômicas, o maior crescimento foi observado nos bens de consumo duráveis, que avançaram 6,3% em janeiro. O resultado recupera parte da queda acumulada no fim de 2025, quando o segmento havia recuado 7,7% nos dois últimos meses do ano.
Os setores de bens de capital, voltados à produção de máquinas e equipamentos, cresceram 2%, interrompendo uma sequência de dois meses de retração. Já os bens intermediários avançaram 1,7%, após quatro meses consecutivos de queda.
Por fim, a produção de bens de consumo semi e não duráveis apresentou alta de 1,2%, revertendo parcialmente o recuo registrado em dezembro do ano passado.
Os números indicam que, apesar da recuperação pontual no início do ano, a indústria brasileira ainda enfrenta desafios para retomar níveis mais elevados de atividade e se aproximar do pico histórico registrado há mais de uma década.