Plataforma terá de detalhar critérios de venda, limites de compra e medidas contra cambismo
Erika Osti Publicado em 27/01/2026, às 14h15
O Procon-SP notificou a Ticketmaster nesta terça-feira (27), exigindo explicações detalhadas sobre problemas na venda de ingressos para os shows do cantor britânico Harry Styles em São Paulo, depois que dezenas de consumidores relataram dificuldades e supostas irregularidades no processo de comercialização. A cobrança ocorre em meio a queixas de fãs, denúncias de deputados e indícios de favorecimento de cambistas, gerando debate sobre transparência e defesa do consumidor no mercado de grandes eventos no país.
Os shows do cantor, agendados para 17 e 18 de julho no Estádio MorumBIS, tornaram-se alvo de reclamações ainda na fase de pré-venda. Consumidores relataram que, mesmo estando entre os primeiros na fila, presencial e online, não conseguiram comprar ingressos, enquanto entradas aparentemente já estavam nas mãos de revendedores. Relatos amplificados nas redes sociais, com vídeos e imagens, motivaram a notificação do órgão paulista.
Além de queixas de fãs, as deputadas Erika Hilton e o deputado Guilherme Cortez (PSOL) acionaram formalmente o Procon-SP e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), descrevendo “esgotamento irregular” das entradas e fortes indícios de atuação organizada de cambistas na comercialização das bilhetes.
Na notificação, o Procon quer saber quantos ingressos foram disponibilizados em cada categoria tanto na bilheteria física quanto na venda online, qual o limite de compra por consumidor e as medidas implementadas para evitar a concentração de compras por poucos indivíduos. O órgão também determinou que a Ticketmaster detalhe a organização do ponto de venda físico, com prazo de resposta estipulado em 24 horas.
Os problemas na comercialização de ingressos já preocupam autoridades em São Paulo há algum tempo, com o Procon aplicando multas a plataformas no passado por irregularidades em vendas de eventos. Atualmente, também corre uma investigação sobre a cobrança de taxas consideradas abusivas em processos de venda de ingressos.
Em nota, a Ticketmaster afirmou que “não apoia o cambismo” e que está disponível para cooperar com as autoridades fornecendo informações necessárias sobre a venda dos ingressos.