Impulsionado pela agropecuária, mas afetado por juros altos e perda de fôlego no consumo, país registra avanço menor e interrompe ciclo de aceleração pós-pandemia
Redação Publicado em 03/03/2026, às 10h00
Depois da forte retomada pós-recessão de 2020, impulsionada pela normalização das atividades e por surpresas favoráveis no consumo e na produção, o ritmo observado no último ano frustrou as projeções e sinalizou um cenário mais desafiador para 2026.
Agropecuária estimula resultado
O grande motor da economia em 2025 foi o campo. A agropecuária registrou alta de 11,7%, reflexo de ganhos de produtividade e de safras recordes. Entre os cultivos que mais contribuíram estão o milho, com salto de 23,6%, e a soja, que cresceu 14,6%, impulsionando exportações e fortalecendo cadeias produtivas regionais.
O setor de serviços, o maior do país, cresceu 1,8% no ano. Todas as atividades registraram expansão, apesar do impacto dos juros elevados sobre o crédito e a demanda. Informação e comunicação (6,5%), serviços financeiros e de seguros (2,9%) e transporte e armazenagem (2,1%) estiveram entre os segmentos mais dinâmicos.
A produção industrial teve alta de 1,4%, apoiada principalmente pelo desempenho das indústrias extrativas, que cresceram 8,6% com a expansão da extração de petróleo e gás. Já a construção civil avançou 0,5%. Em contrapartida, ramos como eletricidade e saneamento (-0,4%) e a indústria de transformação (-0,2%) recuaram.
Consumo desacelera com juros altos
Do lado da demanda, o consumo das famílias subiu 1,3%, resultado influenciado pela melhora no mercado de trabalho, pelo aumento da massa salarial e por programas de transferência de renda. Mesmo assim, o ritmo ficou distante do observado em 2024, quando a alta foi de 5,1%. A desaceleração já era aguardada, em meio à taxa básica de juros a 15% ao ano e ao endividamento recorde das famílias.
O consumo do governo cresceu 2,1%, enquanto as exportações avançaram 6,2% e as importações, 4,5%.
Investimentos crescem, mas ambiente é mais cauteloso
Os investimentos tiveram expansão de 2,9% em 2025, impulsionados pela maior importação de bens de capital, pelo desenvolvimento de software e pelo desempenho positivo da construção. Esses fatores compensaram a queda na produção doméstica de máquinas e equipamentos.
Apesar da alta, a taxa de investimento perdeu força em relação a 2024, quando havia crescido 6,9%. Segundo o IBGE, o ambiente empresarial se mostrou mais cauteloso ao longo do ano, refletindo incertezas internas e externas.