Estatal brasileira supera o Mercado Livre, que cai para a terceira posição no ranking
Erika Osti Publicado em 24/02/2026, às 15h07
A Petrobras retomou o posto de empresa mais valiosa da América Latina, alcançando cerca de US$ 100,9 bilhões em valor de mercado e superando concorrentes regionais no início de 2026. O avanço ocorre após a companhia agregar US$ 26,3 bilhões desde o fim do ano passado, movimento que a recoloca na liderança do ranking elaborado pela consultoria Elos Ayta.
Com a mudança, o Itaú Unibanco aparece na segunda posição, avaliado em aproximadamente US$ 97,7 bilhões, enquanto o Mercado Livre, que liderava a lista desde agosto de 2024, caiu para o terceiro lugar, com US$ 94,5 bilhões. A plataforma argentina perdeu cerca de US$ 7,6 bilhões no período e foi a empresa que mais recuou entre as maiores da região. O Nubank também marca presença no grupo, apesar de ter ido na direção contrária e perdido valor desde o começo do ano, com uma retração de US$ 2,6 bilhões.
Segundo Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta, a virada indica uma mudança no eixo de valor das companhias latino-americanas. Para ele, depois de anos de protagonismo das empresas de tecnologia, o começo de 2026 mostra uma retomada de força dos setores tradicionais, especialmente energia e sistema financeiro.
O levantamento considera o fechamento das ações da segunda-feira e revela forte presença brasileira no topo. Cinco das dez companhias mais valiosas da América Latina são do Brasil. Além de Petrobras e Itaú, aparecem no ranking BTG Pactual, Vale e Ambev, além da Nu Holdings, que tem operação majoritariamente brasileira.
A consultoria também aponta que fatores cambiais ajudaram a impulsionar as empresas do país. A desvalorização de 6,16% do dólar em 2026 elevou automaticamente os valores de mercado quando convertidos para a moeda americana, ampliando a percepção de ganho das companhias listadas na B3.
O ranking ainda mostra a presença de três grupos mexicanos entre os dez maiores, enquanto a Argentina mantém apenas o Mercado Livre na lista. Para Rivero, o episódio reforça que ciclos de commodities, bancos e câmbio continuam capazes de redesenhar rapidamente o mapa corporativo da América Latina.