Reajuste de 14,2% entra em vigor neste mês e alivia custos das companhias aéreas em meio à estabilização do mercado internacional
Letícia Sales Publicado em 01/06/2026, às 11h52
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º) uma redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV), combustível utilizado por aviões e helicópteros. O corte representa uma diminuição de R$ 0,93 por litro nas refinarias da estatal e interrompe uma sequência de três reajustes consecutivos de alta registrada nos últimos meses.
Com a mudança, o valor do combustível passa a variar entre R$ 5,48 e R$ 5,69 por litro, dependendo da região e das condições de comercialização. O reajuste é realizado mensalmente pela companhia sempre no primeiro dia de cada mês.
A queda ocorre após um período de forte pressão sobre os preços. Desde janeiro, o QAV acumulou alta de 54,5%, equivalente a R$ 1,98 por litro. Os aumentos registrados em abril e maio foram atribuídos aos impactos do conflito no Oriente Médio, que afetou o fluxo global de petróleo e gás por meio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo.
Segundo a Petrobras, o cenário internacional passou por uma desaceleração das cotações, permitindo a redução anunciada para junho.
A estatal explicou que a política de preços adotada pela companhia utiliza uma metodologia contratual que reduz oscilações bruscas no mercado doméstico.
“Reflete a atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais”, informou a empresa ao justificar o reajuste.
A companhia destacou ainda que os preços praticados no Brasil permanecem competitivos em comparação com o mercado internacional, onde as variações podem ocorrer diariamente e, em alguns casos, acumulam reajustes superiores aos observados no país.
O querosene de aviação é considerado um dos principais custos operacionais das empresas aéreas. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível representa cerca de 45% das despesas do setor, tornando qualquer alteração de preço um fator relevante para a atividade.
Mesmo com a redução anunciada, a Petrobras informou que continuará oferecendo às distribuidoras a possibilidade de parcelar as compras de combustível em até seis prestações mensais.
“Essa medida contribui para diluir o impacto financeiro ao longo do tempo, favorecendo a adaptação gradual às novas condições de mercado”, explicou a estatal.
A empresa também garantiu que os volumes solicitados para junho já foram confirmados pelas distribuidoras e que não há risco de desabastecimento.
Paralelamente, o governo federal mantém medidas para amenizar os efeitos da volatilidade internacional sobre o setor aéreo. No último sábado (30), foi prorrogada por mais dois meses a desoneração do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação. Além disso, companhias aéreas receberam prazo adicional para quitar tarifas de navegação aérea, que poderão ser pagas apenas em dezembro.
Responsável por cerca de 85% da produção nacional de QAV, a Petrobras segue como a principal fornecedora do combustível no país, embora o mercado permaneça aberto à atuação de outras produtoras e importadoras.