Corte médio de 7,8% entra em vigor em fevereiro e reforça a trajetória de quedas
Erika Osti Publicado em 27/01/2026, às 18h34
A Petrobras anunciou nesta terça-feira (27) que vai reduzir, em média, 7,8% o preço de venda do gás natural às distribuidoras a partir de 1º de fevereiro de 2026. A medida amplia a trajetória de queda nos contratos da estatal e ocorre em meio a um cenário de estabilidade internacional do petróleo e acomodação do câmbio. Desde dezembro de 2022, a parcela correspondente à molécula do gás já acumula redução de cerca de 38%, segundo dados da própria companhia.
A decisão foi antecipada pela diretora de Transição Energética e Sustentabilidade, Angélica Laureano, e faz parte das revisões trimestrais previstas nos contratos firmados com concessionárias estaduais. Os reajustes consideram principalmente a cotação do petróleo Brent no mercado internacional, a variação do dólar frente ao real e, a partir de 2026, a inclusão do índice Henry Hub, referência do mercado norte-americano de gás natural, adotado por distribuidoras que optaram por esse modelo de indexação.
Apesar do corte automático nos contratos, a Petrobras destaca que a redução não significa, necessariamente, queda imediata no preço pago pelo consumidor final. O valor cobrado de residências, indústrias e postos depende de outros fatores, como custos de transporte, composição do portfólio de suprimento das distribuidoras, margens de revenda, especialmente no caso do Gás Natural Veicular, além de impostos federais e estaduais. As tarifas finais também precisam de aval das agências reguladoras estaduais.
A estatal reforça ainda que a medida não se aplica ao gás liquefeito de petróleo, o GLP, utilizado no gás de cozinha. Esse produto segue uma cadeia de formação de preços distinta e, até o momento, não foi impactado pela redução anunciada para o gás natural canalizado.
Desde 2024, a Petrobras vem adotando instrumentos comerciais adicionais, como prêmios por performance e incentivos à demanda, que permitem descontos extras conforme o volume contratado e efetivamente retirado pelas distribuidoras, conforme regras estabelecidas nos acordos.
Para analistas do setor, o novo corte reflete um momento mais favorável no mercado internacional, com preços do petróleo menos pressionados e câmbio relativamente estável. Ainda assim, a complexidade da estrutura tarifária do gás no Brasil tende a limitar o repasse integral da redução ao consumidor final no curto prazo.
A decisão reforça a estratégia da Petrobras de alinhar seus preços às condições do mercado global, ao mesmo tempo em que evidencia os desafios estruturais para que reduções no atacado se traduzam em alívio direto na conta de empresas e famílias.