Tesouro Direto

Janeiro registra recorde de R$ 8,7 bilhões em vendas do Tesouro Direto

Investidores buscam segurança com Selic alta e inflação crescente

Investidores buscam segurança com Selic alta e inflação crescente - Imagem: Reprodução / José Cruz / Agência Brasil / Arquivo

Gabriela Thier Publicado em 26/02/2025, às 19h08

O mês de janeiro deste ano marcou um novo recorde nas vendas de títulos do Tesouro Direto, totalizando R$8,763 bilhões, conforme informações divulgadas pelo Tesouro Nacional. O montante resgatado no mesmo período somou R$ 7,181 bilhões, sendo que R$ 3,113 bilhões referem-se a recompras (resgates antecipados) e R$ 4,067 bilhões a vencimentos dos títulos, quando o governo reembolsa os investidores com os juros devidos.

Com isso, as emissões líquidas de títulos alcançaram R$1,583 bilhão em janeiro. Os dados foram apresentados pelo Tesouro Nacional em uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (26).

Os títulos mais demandados pelos investidores foram aqueles atrelados à Taxa Selic, que corresponderam a 44,1% das vendas. Em segundo lugar, os papéis indexados à inflação, medidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), representaram 30,1%. Por sua vez, os títulos prefixados – que possuem taxas de juros fixas definidas no momento da emissão – ficaram com uma participação de 25,9% nas transações realizadas.

A crescente procura por papéis atrelados à taxa básica de juros reflete o atual patamar elevado da Selic, que está fixada em 13,25% ao ano. A expectativa de novas elevações na taxa contribui para manter esses investimentos atrativos. Além disso, a perspectiva de aumento do IPCA nos próximos meses também tem impulsionado o interesse pelos títulos indexados à inflação.

No fechamento de janeiro, o estoque total do Tesouro Direto atingiu R$159,9 bilhões. Esse valor representa um aumento de 1,9% em comparação ao mês anterior (R$156,9 bilhões) e um crescimento expressivo de 22,9% em relação a janeiro do ano passado (R$130,1 bilhões).

Em relação ao número de participantes do programa, o mês passado registrou a adesão de 449.329 novos investidores. Com isso, o total acumulado chega a 31.493.170 pessoas cadastradas, evidenciando um crescimento de 15% nos últimos doze meses. O número de investidores ativos – aqueles com operações abertas – alcançou a marca de 3.010.879, refletindo um aumento de 19,2% na comparação anual. No entanto, houve uma redução de 3.042 investidores ativos apenas no último mês.

A adesão ao Tesouro Direto por pequenos investidores é notável: cerca de 78,1% das operações realizadas em janeiro foram abaixo da faixa de R$5 mil. Dentre essas transações, as aplicações até R$1 mil representaram impressionantes 56%. O valor médio das operações foi registrado em R$8.855,67.

Os investidores têm demonstrado uma clara preferência por papéis com prazos mais curtos; os títulos com maturação de até cinco anos corresponderam a 73,3% das vendas no período. Já os papéis com prazo entre cinco e dez anos representaram apenas 4,8%, enquanto aqueles com prazos superiores a dez anos ficaram com uma participação de 21,8%.

O Tesouro Direto foi instituído em janeiro de 2002 com o intuito de democratizar o acesso aos títulos públicos e permitir que investidores individuais adquirissem esses ativos diretamente do Tesouro Nacional pela internet, sem necessidade da intermediação de instituições financeiras. O investidor se compromete apenas a pagar uma taxa semestral à B3, que é a bolsa brasileira responsável pela custódia dos títulos.

Para mais detalhes sobre o programa e suas operações, é possível acessar o site oficial do Tesouro Direto.

A venda de títulos públicos é uma estratégia utilizada pelo governo para captar recursos destinados ao pagamento de dívidas e cumprimento de obrigações financeiras. Em contrapartida, o Tesouro Nacional assegura aos investidores a devolução do montante aplicado acrescido de juros que podem variar conforme a Selic ou outros indicadores econômicos como índices inflacionários ou taxas prefixadas.

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