Índice oficial sobe 0,58% em maio e acumula alta de 4,72% nos últimos 12 meses
Julio Cezar Souza Publicado em 12/06/2026, às 12h21
A inflação oficial do Brasil apresentou desaceleração em maio, mas continua em patamar elevado. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,58% no mês, abaixo dos 0,67% registrados em abril.
Apesar da redução no ritmo de crescimento dos preços, o acumulado dos últimos 12 meses subiu para 4,72%, superando os 4,39% observados anteriormente e permanecendo acima do limite máximo estabelecido pela meta de inflação. No acumulado de 2026, o índice já alcança 3,20%.
Os alimentos foram os principais responsáveis pela pressão inflacionária. O segmento de alimentação e bebidas liderou os aumentos, impulsionado especialmente pelos produtos consumidos dentro de casa. Segundo o levantamento, itens como batata, tomate, cebola e carnes registraram elevações expressivas ao longo do mês.
De acordo com o IBGE, fatores relacionados à oferta de produtos e ao aumento dos custos logísticos contribuíram para a alta dos preços. Em contrapartida, alguns alimentos apresentaram recuo, como o café moído e determinadas variedades de frutas.
As despesas com moradia também tiveram impacto relevante no resultado do índice. O destaque ficou para a conta de energia elétrica, que registrou aumento influenciado por reajustes tarifários em diferentes regiões do país e pela aplicação da bandeira tarifária amarela.
Outro grupo que apresentou elevação foi o de saúde e cuidados pessoais. Produtos de higiene tiveram reajustes acima da média, enquanto os planos de saúde também contribuíram para a pressão sobre o orçamento das famílias.
Por outro lado, o setor de transportes ajudou a conter uma inflação ainda maior. A redução nos preços dos combustíveis levou o grupo a encerrar o mês em queda. Gasolina, diesel e etanol ficaram mais baratos, embora passagens aéreas e algumas tarifas de transporte coletivo tenham registrado aumento.
O cenário mantém o Banco Central sob atenção. Economistas avaliam que a combinação de atividade econômica aquecida, mercado de trabalho resiliente, custos elevados de energia e alimentos e riscos climáticos dificulta uma trajetória mais rápida de desaceleração dos preços.
A persistência da inflação acima da meta também gera dúvidas sobre os próximos movimentos da política monetária. Embora parte do mercado ainda veja espaço para ajustes adicionais na taxa básica de juros, outros analistas acreditam que a autoridade monetária pode optar por uma postura mais cautelosa diante das pressões inflacionárias.
O comportamento dos preços nos próximos meses será decisivo para definir os rumos da economia e para avaliar se a inflação conseguirá retornar ao intervalo considerado adequado pelo Banco Central.