Acordo com credores busca reorganizar cerca de R$ 4,5 bilhões em débitos sem comprometer funcionamento das lojas
Letícia Sales Publicado em 10/03/2026, às 12h34
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou nesta terça-feira (10) que firmou um acordo com seus principais credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial. Caso seja aprovado, o mecanismo permitirá à empresa renegociar parte de suas dívidas diretamente com os detentores de crédito, sem necessidade de mediação judicial.
De acordo com a companhia, a proposta atinge apenas dívidas sem garantias, que somam cerca de R$ 4,5 bilhões. Despesas correntes e operacionais ficaram de fora do plano, com o objetivo de preservar o pagamento a trabalhadores, fornecedores, parceiros comerciais e clientes.
O acordo inicial foi firmado com credores que representam aproximadamente R$ 2,1 bilhões do total envolvido na negociação. Esse valor supera o quórum mínimo exigido pela legislação, que corresponde a um terço dos créditos afetados pelo processo.
Em comunicado divulgado pela empresa, o GPA afirmou que a proposta busca garantir estabilidade para avançar nas negociações. “O plano cria um ambiente seguro e estável para a continuidade, por 90 dias, das negociações” que já vinham ocorrendo, informou a companhia.
A empresa também demonstrou confiança na adesão de outros credores durante esse período. “Neste período, a companhia confia que conseguirá o apoio da maioria dos créditos sujeitos ao processo e espera chegar a uma solução estruturada que resolva simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo”, destacou o grupo.
Segundo o GPA, a estrutura do plano foi pensada para evitar impactos nas operações do varejo alimentar. As lojas da rede continuarão funcionando normalmente durante o processo.
Assim, o plano representa um passo importante para o objetivo da administração de fortalecer o balanço, melhorar o perfil do endividamento e posicionar a companhia para o futuro, ao mesmo tempo que preserva o relacionamento com fornecedores e protege sua operação”, afirmou a empresa em nota.
“Em breve o grupo espera divulgar em seu site, mais informações sobre o processo de recuperação extrajudicial.”
Na semana passada, o grupo já havia informado que mantinha negociações com parte dos credores para repactuar dívidas financeiras e outras obrigações de curto prazo. Segundo a companhia, o objetivo das conversas é melhorar “o perfil de seu endividamento” e “reforçar a liquidez”, sem interferir nas atividades operacionais do dia a dia.