Inflação

Expectativa de inflação no Brasil tem leve queda: IPCA projeta 4,81%

Com a Selic fixada em 15%, o Banco Central busca garantir a meta de inflação em meio a incertezas econômicas globais

Com a Selic fixada em 15%, o Banco Central busca garantir a meta de inflação em meio a incertezas econômicas globais - Imagem: Reprodução / Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 29/09/2025, às 15h05

A recente atualização das expectativas do mercado financeiro quanto ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o principal indicador da inflação no Brasil, apontou uma leve diminuição na previsão de 4,83% para 4,81% para o ano corrente. Este dado foi revelado no boletim Focus, publicado nesta segunda-feira (29) pelo Banco Central do Brasil, que compila as previsões de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.

Além disso, a expectativa de inflação para o ano de 2026 também sofreu uma leve queda, passando de 4,29% para 4,28%. Para os anos subsequentes, as projeções indicam taxas de 3,9% para 2027 e 3,7% para 2028.

Vale ressaltar que a estimativa atual ainda está acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é fixada em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Assim, os limites inferior e superior são 1,5% e 4,5%, respectivamente.

No mês de agosto, a inflação oficial apresentou um cenário atípico ao registrar uma deflação de 0,11%, impulsionada pela diminuição nos custos da energia elétrica. Consequentemente, o IPCA acumulado em um período de 12 meses alcançou a marca de 5,13%, conforme dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Taxa Selic e seu Impacto

Para garantir que a meta de inflação seja atingida, o Banco Central recorre à taxa básica de juros – a Selic – atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). As incertezas relacionadas ao cenário econômico global e dados que refletem uma desaceleração do crescimento interno são fatores que contribuíram para a decisão de manter a Selic na última reunião do Copom este mês.

Conforme mencionado na ata divulgada pela instituição, o objetivo é sustentar a taxa por um "período bastante prolongado" com vistas a assegurar o cumprimento da meta inflacionária.

A expectativa dos analistas é que a Selic permaneça em 15% ao ano até o final de 2025. Para o encerramento de 2026, as previsões indicam uma redução para 12,25% ao ano. Em relação aos anos seguintes, os analistas projetam novas quedas: para 10,5% ao ano em 2027 e para 10% ao ano em 2028.

Quando ocorre um aumento na taxa básica de juros por parte do Copom, o intuito é conter uma demanda excessiva. Isso impacta diretamente nos preços devido ao encarecimento do crédito e à promoção da poupança. Contudo, além da Selic, as instituições financeiras consideram diversos fatores ao determinar os juros aplicados aos consumidores, como riscos relacionados à inadimplência e despesas operacionais.

Dessa forma, taxas elevadas podem dificultar o crescimento econômico. Por outro lado, quando há uma redução na Selic, tende-se a observar uma diminuição nos custos do crédito, favorecendo tanto a produção quanto o consumo e podendo potencialmente elevar a inflação enquanto estimula as atividades econômicas.

No mesmo boletim Focus mencionado anteriormente, a projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira se manteve em 2,16% para este ano. Para o exercício fiscal de 2026, espera-se um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 1,8%. As estimativas para os anos seguintes são um crescimento de 1,9% em 2027 e 2% em 2028.

Impulsionada pelas expansões nos setores de serviços e indústria no segundo trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu em torno de 0,4%. Em comparação com o ano anterior (2024), onde o PIB teve um aumento significativo de 3,4%, este resultado marca o quarto ano consecutivo de crescimento econômico no país. Esta performance representa a maior expansão desde 2021, quando o PIB registrou um crescimento notável de 4,8%.

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