Caso Master

Ex-presidente do BRB alertou Vorcaro sobre risco em documentos feitos às pressas no Banco Master

Mensagens inéditas indicam preocupação interna com produção acelerada de 3 mil documentos ligados a carteiras de crédito sob investigação da Polícia Federal.

Mensagens mostram alerta interno no BRB sobre documentos produzidos às pressas em operação com o Banco Master. - Imagem: Reprodução / Globo

Redação Publicado em 22/04/2026, às 10h38

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Mensagens inéditas revelam que o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, alertou o banqueiro Daniel Vorcaro sobre riscos na produção acelerada de milhares de documentos ligados a carteiras de crédito do Banco Master.

Em uma conversa datada de 30 de junho de 2025, Paulo Henrique afirmou que cerca de 3 mil documentos haviam sido gerados “às pressas” e sem a devida clareza sobre sua origem. Segundo ele, tratavam-se de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) relacionadas a operações entre o Master e o BRB.

Na mensagem, o executivo demonstrou preocupação com a falta de documentação essencial, incluindo contratos e lastros das operações. Ele destacou que não havia informações suficientes sobre os tomadores originais dos créditos nem sobre a formalização das operações junto aos clientes.

A troca de mensagens ocorreu em um momento crítico, quando o BRB aguardava resposta do Banco Central sobre a tentativa de aquisição do Banco Master. Paralelamente, a instituição já havia adquirido cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas problemáticas.

Em comunicações anteriores, Paulo Henrique já havia cobrado de Vorcaro o envio de documentos fundamentais, como contratos com associações, auditorias e comprovações das operações. Em uma das mensagens, chegou a afirmar que a operação “não sairia” sem a regularização da documentação e que o banco estava “correndo risco desnecessário”.

As conversas também mostram que o Banco Central já questionava a operação naquele momento, aumentando a pressão interna. Dias depois, o então presidente do BRB afirmou que não havia “qualquer possibilidade” de novas negociações sem a resolução das pendências documentais.

As investigações da Polícia Federal apontam que parte dessas carteiras teria sido estruturada por meio de uma empresa de fachada, com o objetivo de justificar a entrada de recursos no Banco Master e reforçar sua liquidez.

Paulo Henrique Costa foi preso na última semana durante uma nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, ele é investigado por suspeita de receber vantagens indevidas para favorecer o Banco Master em operações financeiras. A defesa afirma que a prisão foi desnecessária.

O caso segue sob investigação e levanta questionamentos sobre governança, controle de risco e transparência em operações bilionárias no sistema financeiro brasileiro.

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