Pejotização

Entenda como a decisão do STF pode impactar contratos PJ em todo o país

Especialista consultado pelo Diário alerta para risco de precarização enquanto Supremo define futuro das relações de trabalho

Especialistas alertam que a pejotização pode esconder relações de trabalho comuns, sem os direitos garantidos pela CLT. - Imagem: Reprodução | ChatGPT

Marina Roveda Publicado em 16/04/2025, às 16h10

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, nesta segunda-feira (14), a suspensão de todos os processos no país que envolvem a chamada pejotização – prática em que empresas contratam trabalhadores como pessoas jurídicas para evitar o vínculo empregatício e os encargos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A decisão do ministro Gilmar Mendes afeta diretamente milhares de ações em andamento na Justiça do Trabalho. A suspensão é válida até que o plenário do STF analise um caso específico, que servirá como parâmetro para os demais.

A medida provocou reações diversas entre especialistas. Para o advogado trabalhista Caio Tambeiro Tavares de Castro, ouvido pela reportagem, o momento exige atenção redobrada com os direitos do trabalhador.

O problema não é ser PJ, mas ser PJ só no papel. A pejotização, quando é real e voluntária, pode ser legítima. Mas o problema é quando ela esconde uma relação de emprego comum, só que sem os direitos básicos. Isso é fraude e precisa ser combatido”, explica o advogado.

A prática da pejotização tem se expandido rapidamente em setores como tecnologia, saúde, logística e serviços. O modelo costuma ser vendido como uma forma de autonomia e liberdade profissional, mas muitas vezes esconde condições precárias de trabalho, com subordinação direta, controle de horários, metas rígidas e exclusividade — elementos típicos de um vínculo empregatício.

Segundo o STF, a suspensão dos processos visa evitar decisões contraditórias e aliviar a sobrecarga do sistema. No entanto, críticos alertam para o risco de paralisar discussões importantes sobre o tema.

A decisão do STF é importante para padronizar a interpretação das leis, mas o foco não pode se perder: o que está em jogo é se o trabalhador tem ou não direitos. E isso deve ser analisado com muito cuidado, caso a caso”, reforça Caio Castro.

O julgamento que será realizado pelo Supremo deverá abordar três pontos centrais:

Enquanto o julgamento não acontece – o que pode levar meses ou até anos – o cenário é de incerteza.

A suspensão dos processos não é uma derrota para os trabalhadores, mas um momento de atenção. O ideal é que o STF deixe claro que a forma de contrato não pode eliminar direitos garantidos pela Constituição e pela CLT”, conclui Caio.

Especialistas alertam que o momento é de vigilância e orientação. Trabalhadores devem estar atentos aos sinais de pejotização irregular. 

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