O dólar voltou a preocupar o mercado financeiro nesta sexta-feira (10), ao ultrapassar a marca de R$ 5,50 e fechar cotado a R$ 5,5038, registrando alta de 2,39%
William Oliveira Publicado em 11/10/2025, às 10h10
O dólar encerrou esta sexta-feira (10) em forte alta, cotado a R$ 5,5038, após subir 2,39% no dia. A disparada da moeda norte-americana reflete o aumento das incertezas no mercado financeiro, impulsionado pelas preocupações com a política fiscal do governo Lula e pelas novas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
Apesar da valorização recente, o dólar ainda acumula queda de 10,93% em 2025, em relação ao valor registrado no início do ano.
O dia também foi negativo para os ativos brasileiros. O Ibovespa recuou e os juros futuros (DIs) subiram, evidenciando um ambiente de pessimismo e cautela entre investidores.
Incerteza fiscal aumenta tensão nos mercados
O principal foco de preocupação continua sendo a condução da política fiscal. Desde a semana passada, o tema tem pressionado os ativos nacionais. A rejeição, pela Câmara dos Deputados, da Medida Provisória 1303 — que tratava da taxação de aplicações financeiras — foi vista como um revés para os esforços do governo em equilibrar as contas públicas.
Segundo o Ministério da Fazenda, a MP traria impacto positivo estimado de R$ 14,8 bilhões em 2025 e R$ 36,2 bilhões em 2026, somando aumento de receitas e redução de despesas.
Tensão comercial
A pressão sobre os mercados se intensificou no início da tarde, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou elevar tarifas sobre produtos chineses e cancelar uma reunião com o líder Xi Jinping.
Horas depois, Trump confirmou as medidas, anunciando tarifas de 100% sobre exportações chinesas e restrições a softwares críticos ligados à cadeia tecnológica. O gesto aumentou o clima de instabilidade global e reforçou a corrida por ativos de proteção, como o dólar.