O aumento de 0,5 ponto percentual na dívida é resultado da combinação entre juros e emissão de títulos da dívida pública
Gabriela Thier Publicado em 08/04/2025, às 14h56
Em fevereiro, a dívida bruta do Brasil registrou um crescimento significativo, atingindo 76,2% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a aproximadamente R$9 trilhões, de acordo com informações divulgadas pelo Banco Central. Este aumento de 0,5 ponto percentual em comparação ao mês anterior é atribuído à combinação entre os juros nominais e a emissão líquida de títulos da dívida.
Um aspecto relevante deste cenário é que cerca de 50% dos títulos emitidos pelo governo estão atrelados à taxa Selic, atualmente fixada em 14,24% ao ano. A análise demonstra que um incremento de 1 ponto percentual na Selic pode resultar em um acréscimo de R$49,3 bilhões na dívida bruta. Em contrapartida, a dívida líquida, que considera os ativos governamentais, subiu para 61,4% do PIB.
No contexto do setor público consolidado, observou-se um déficit primário de R$19 bilhões no mês de fevereiro, com despesas relacionadas ao pagamento de juros alcançando R$78,3 bilhões. Nos últimos doze meses, o déficit acumulado totalizou R$15,9 bilhões, correspondendo a 0,13% do PIB. O déficit registrado em fevereiro foi majoritariamente influenciado pelas contas do governo central; no entanto, estados e municípios demonstraram capacidade de gerar superávit durante o mesmo período.