Com a contenção de gastos de R$30 bilhões, Haddad espera que o governo possa ajustar o orçamento
Gabriela Thier Publicado em 04/02/2025, às 16h48
Na última terça-feira (4), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enfatizou que a recente desvalorização do dólar contribui significativamente para o combate à inflação no Brasil. Durante uma coletiva de imprensa, ele expressou otimismo em relação às medidas adotadas pelo Banco Central e pelo governo, que visam melhorar os indicadores econômicos do país.
Haddad ressaltou que o Banco Central terá um período adequado para avaliar a duração necessária das taxas de juros restritivas a fim de controlar a inflação. Ele destacou que a implementação do novo sistema de metas contínuas proporcionará uma melhor adaptação e racionalidade na gestão da política monetária.
Referindo-se às preocupações do Banco Central sobre como a valorização do dólar pode afetar os preços internos, o ministro comemorou a queda da moeda americana, que atualmente está cotada a R$5,80, após ter encerrado o ano anterior próximo de R$6,20. "A queda do dólar de R$6,10 para R$5,80 representa um avanço significativo. As ações conjuntas do Banco Central e do Ministério da Fazenda irão contribuir para que essas variáveis macroeconômicas se ajustem em um novo patamar", afirmou.
O ministro também demonstrou confiança na robustez da safra agrícola deste ano, acreditando que ela será um fator importante para ajudar a controlar a inflação.
No último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central decidiu aumentar a taxa Selic em 1 ponto percentual, elevando-a para 13,25% ao ano. A entidade sinalizou a possibilidade de um novo aumento semelhante em março, mantendo as futuras diretrizes em aberto.
Durante a entrevista, Haddad mencionou que o governo conseguiu desenvolver uma solução para integrar fundos de investimento e agronegócio à regulamentação da reforma tributária voltada ao consumo, embora não tenha fornecido detalhes específicos sobre essa abordagem. Isso ocorre após o Congresso ter incluído uma cláusula isentando os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros) da cobrança sobre transações envolvendo bens imóveis, cláusula essa que foi vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em termos fiscais, Haddad informou que as medidas aprovadas pelo Congresso Nacional no final de 2024 resultarão em uma contenção de gastos na ordem de R$30 bilhões neste ano, permitindo ao governo realizar ajustes no orçamento.