INPC

Deflação de -0,21% no INPC em agosto marca a primeira queda desde 2024

O INPC, utilizado para reajustes salariais, acumula alta de 5,05% nos últimos 12 meses

O INPC, utilizado para reajustes salariais, acumula alta de 5,05% nos últimos 12 meses - Imagem: Reprodução / Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 10/09/2025, às 15h00

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou uma deflação de -0,21% em agosto, representando a primeira diminuição média nos preços desde agosto de 2024, quando o índice foi de -0,14%. Este resultado marca uma tendência contínua de queda na inflação, com o INPC apresentando redução pela sexta vez consecutiva.

No início do ano, em fevereiro, o índice atingiu um pico de 1,48%, enquanto em julho fechou em 0,21%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Considerando os últimos 12 meses, o INPC acumulou uma alta de 5,05%, uma ligeira redução em relação aos 5,13% registrados no período encerrado em julho.

O INPC é amplamente utilizado como base para o cálculo de reajustes salariais anuais em diversas categorias. Por exemplo, o salário mínimo é ajustado levando em conta o INPC anual de novembro, que influencia diretamente o valor estabelecido para o ano subsequente. Além disso, benefícios como o seguro-desemprego e o teto do INSS também são reajustados com base nos resultados mensais do índice.

Setores que Impactaram a Inflação

Em agosto, o setor de habitação foi crucial para a redução da inflação, apresentando uma queda de -1,04%, que contribuiu com um impacto negativo de -0,18 ponto percentual no INPC. Esse alívio foi amplamente influenciado pela diminuição nas tarifas de energia elétrica, que caiu 4,32% devido ao Bônus Itaipu. Esse desconto ajudou a compensar os custos adicionais impostos pela bandeira tarifária vermelha 2.

Os alimentos também tiveram um impacto significativo na queda da inflação, com uma média de recuo de 0,54% (-0,13 p.p.), marcando a terceira deflação consecutiva deste grupo.

Características do INPC

O INPC é especificamente direcionado às famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos. Essa característica distingue-o do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a variação do custo de vida para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. Atualmente, o salário mínimo é fixado em R$1.518.

Além disso, os dados do IBGE indicam que o IPCA apresentou uma leve deflação de -0,11% em agosto.

O IBGE utiliza pesos diferenciados para os grupos pesquisados. Por exemplo, os alimentos têm um peso maior no INPC (25%) comparado ao IPCA (21,86%), refletindo a maior proporção que as famílias com menor renda gastam em alimentação. Por outro lado, despesas como passagens aéreas têm menor peso no cálculo do INPC.

A metodologia adotada para a coleta do INPC visa corrigir o poder aquisitivo dos salários ao mensurar as variações nos preços da cesta básica consumida pela população assalariada com rendimentos mais baixos. A coleta de preços abrange dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Também inclui Brasília (DF) e capitais como Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Aracaju (SE).

IBGE Inflação deflação ALIMENTOS PREÇOS REAJUSTE SALARIAL METODOLOGIA INPC Energia Elétrica

Leia também