Selic

Copom deve reduzir taxa Selic para 14,75% na reunião desta semana

Mercado projeta primeiro corte de juros após meses de estabilidade; inflação e cenário internacional seguem no radar do Banco Central

Com a inflação controlada, o Copom deve avaliar o cenário antes de implementar cortes na Selic, que afetam diretamente o consumo e investimentos - Imagem: Reprodução/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 16/03/2026, às 11h47

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, se reúne nesta terça-feira (17) e quarta-feira (18) para definir o novo patamar da taxa básica de juros da economia, a Selic. A expectativa do mercado financeiro é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano.

A projeção consta no boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (16), relatório semanal do Banco Central que reúne estimativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país.

A Selic é o principal instrumento utilizado pela autoridade monetária para controlar a inflação. Na última reunião do Copom, realizada no fim de janeiro, a taxa foi mantida pela quinta vez consecutiva em 15% ao ano, mesmo com sinais de desaceleração da inflação e recuo do dólar.

O atual patamar de juros é o mais alto desde julho de 2006, quando a taxa chegou a 15,25% ao ano.

Na ata da última reunião, o colegiado indicou que poderia iniciar um ciclo de redução de juros a partir de março, desde que o cenário econômico permaneça estável e a inflação continue sob controle. Mesmo com eventuais cortes, a política monetária deve permanecer em nível considerado restritivo.

Na semana passada, analistas projetavam uma redução maior, de 0,5 ponto percentual. No entanto, o aumento das expectativas de inflação levou o mercado a revisar a estimativa. Entre os fatores que pesaram na mudança está o impacto da guerra no Irã, que elevou o preço internacional do petróleo e pode pressionar os preços no futuro.

Projeções para os próximos anos

Segundo o boletim Focus, a expectativa para a Selic no fim de 2026 subiu de 12,13% para 12,25% ao ano. Para 2027, a projeção é de queda para 10,5%. Já em 2028 e 2029, a taxa básica deve recuar gradualmente para 10% e 9,5%, respectivamente.

Quando o Banco Central eleva a Selic, o objetivo é conter o consumo e reduzir pressões inflacionárias. Juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, o que tende a desacelerar a economia.

Por outro lado, quando a taxa é reduzida, o crédito tende a ficar mais barato, estimulando investimentos, consumo e a atividade econômica.

Inflação segue dentro da meta

A previsão do mercado para a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu de 3,91% para 4,1% em 2026. Apesar da alta, o indicador ainda permanece dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para 2027, a expectativa de inflação segue em 3,8%. Já para 2028 e 2029, a projeção é de 3,5% em ambos os anos.

Dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a inflação de fevereiro foi de 0,7%, pressionada principalmente pelos preços de transportes e educação. Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,81% em 12 meses.

PIB e dólar

O mercado também revisou levemente a projeção de crescimento da economia brasileira. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,82% para 1,83%.

Para 2027, a estimativa de expansão é de 1,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado projeta crescimento de 2% ao ano.

Segundo o IBGE, a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, impulsionada pela expansão em todos os setores, com destaque para a agropecuária.

Em relação ao câmbio, a previsão para o dólar no fim deste ano é de R$ 5,40. Para o fim de 2027, a expectativa é de que a moeda norte-americana esteja cotada a R$ 5,47.

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