Dados da Abras mostram que o consumo nas famílias brasileiras avançou no primeiro trimestre de 2026, impulsionado por fatores econômicos e sazonais
Erika Osti Publicado em 23/04/2026, às 17h22
O consumo das famílias brasileiras nos supermercados avançou no início de 2026, com crescimento de 1,92% no primeiro trimestre, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O desempenho foi puxado principalmente pelo forte movimento registrado em março, quando as vendas subiram 6,21% na comparação com fevereiro e 3,20% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado reflete uma combinação de fatores que inclui a antecipação de compras para a Páscoa, celebrada no início de abril, além da maior circulação de recursos na economia, com destaque para pagamentos de benefícios sociais e trabalhistas.
De acordo com a entidade, o calendário também influenciou o desempenho mensal, já que fevereiro teve menos dias, o que ampliou a base de comparação para março. No período, programas de transferência de renda tiveram papel relevante no estímulo ao consumo. O Bolsa Família alcançou 18,73 milhões de lares, com repasses de R$ 12,77 bilhões, enquanto o segundo lote do PIS/Pasep injetou cerca de R$ 2,5 bilhões na economia.
Apesar do aumento no volume de compras, os preços seguiram em alta. O indicador Abrasmercado, que acompanha uma cesta com 35 produtos de consumo frequente, subiu 2,20% em março, elevando o valor médio de R$ 802,88 para R$ 820,54. No acumulado do trimestre, os preços já haviam mostrado leve oscilação, com alta em fevereiro e pequena queda em janeiro.
Entre os itens básicos, o feijão foi o principal destaque de alta, com avanço de 15,40% apenas em março e de 28,11% no trimestre. O leite longa vida também registrou aumento expressivo, de 11,74% no mês. Outros produtos como macarrão, margarina e farinha de mandioca tiveram elevações mais moderadas. Em contrapartida, itens como açúcar, café, óleo de soja, arroz e farinha de trigo apresentaram recuo nos preços.
No grupo de proteínas, os ovos e a carne bovina ficaram mais caros, enquanto o frango congelado e o pernil tiveram redução. Já entre os alimentos in natura, as maiores pressões vieram de produtos como tomate, cebola e batata, impactados por fatores sazonais e condições de oferta. No acumulado do trimestre, o tomate, por exemplo, acumula alta superior a 45%.
Os reajustes também atingiram itens de higiene pessoal e limpeza doméstica, com aumentos em produtos como sabonete, xampu, detergente e desinfetante. Apenas o sabão em pó apresentou queda no período. Regionalmente, o Nordeste registrou a maior alta no preço da cesta em março, seguido por Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, indicando um movimento disseminado de encarecimento no país.
Para os próximos meses, a expectativa do setor é de continuidade no crescimento do consumo, impulsionado por novas entradas de recursos. A antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas deve liberar cerca de R$ 78,2 bilhões, beneficiando mais de 35 milhões de pessoas. Além disso, o pagamento das restituições do Imposto de Renda pode injetar aproximadamente R$ 16 bilhões na economia até o fim de maio.
Mesmo com o cenário favorável à renda, o setor mantém cautela. A entidade alerta para riscos de aumento nos preços de alimentos, especialmente aqueles mais sensíveis a custos logísticos, clima e oferta. A alta do petróleo e o encarecimento do transporte são apontados como fatores que podem pressionar ainda mais os preços nos próximos meses.