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Chegada de novos aplicativos chineses altera dinâmica do mercado de delivery em São Paulo

Mercado de entregas vive o cenário mais competitivo dos últimos anos

Especialistas alertam que a nova concorrência pode mudar a dinâmica do setor, beneficiando consumidores e restaurantes - Imagem: Reprodução/Agência Brasil

Gabriela Nogueira Publicado em 07/01/2026, às 13h59

Pela primeira vez desde que se consolidou como líder absoluto do delivery no Brasil, o iFood dá sinais claros de perda de fôlego. A mudança começou pela Grande São Paulo, principal vitrine do setor, com a chegada de dois novos concorrentes de origem chinesa: 99Food e Keeta. Juntos, eles iniciam uma disputa que pode alterar de forma estrutural o mercado de entregas no país.

Mesmo mantendo a liderança, o iFood viu sua participação recuar. Hoje, a empresa responde por 52,3% do mercado de delivery, uma queda relevante em relação aos quase 64% registrados no trimestre anterior. O movimento chama atenção porque, nos últimos anos, a plataforma operou praticamente sem ameaças diretas, depois de resistir à concorrência de gigantes globais como o Uber Eats, que acabou deixando o Brasil.

A 99Food, braço de delivery da 99, já apresenta números expressivos na Grande São Paulo. A operação alcançou 10% de participação em valor movimentado e chegou a 15,9% dos consumidores da região, o equivalente a cerca de 3,1 milhões de pessoas. O avanço foi impulsionado por estratégias agressivas, como taxas reduzidas para restaurantes, cupons frequentes e integração com o ecossistema de mobilidade da empresa.

A Keeta, por sua vez, é a novata mais recente nessa disputa. Lançada oficialmente em dezembro, ainda não aparece nas medições mais consolidadas de mercado, mas entrou em cena com um investimento inicial estimado em R$ 1 bilhão. O aporte robusto indica uma estratégia de longo prazo, com foco em escala, tecnologia e subsídios para acelerar a adesão de usuários e estabelecimentos.

Especialistas em plataformas digitais apontam que o cenário atual difere do embate que afastou o Uber Eats do Brasil. Agora, o iFood enfrenta concorrentes com grande capacidade financeira, experiência em mercados altamente competitivos e disposição para operar com margens menores por um período prolongado. Além disso, o mercado amadureceu, com consumidores mais sensíveis a preço, prazo de entrega e qualidade do serviço.

Outro fator relevante é a concentração geográfica da disputa. A Grande São Paulo reúne milhões de pedidos mensais e funciona como laboratório para testar modelos de negócio, logística e fidelização. O desempenho nessa região costuma antecipar movimentos que depois se espalham para outras capitais e polos urbanos.

Para restaurantes e entregadores, a nova concorrência tende a ampliar opções e fortalecer o poder de negociação, após anos de dependência quase exclusiva do iFood. Já para os consumidores, o momento é de maior oferta de promoções e diversidade de serviços, reflexo direto da briga por participação de mercado.

O domínio do iFood, que por muito tempo pareceu inabalável, segue forte, mas já não é mais incontestável. Com dois novos players dispostos a disputar espaço de forma agressiva, o mercado brasileiro de delivery entra em uma fase mais competitiva, com impactos que devem se intensificar ao longo de 2026.

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