VERÃO E INFLAÇÃO

Calor intenso ameaça o bolso do brasileiro: alimentos podem ficar mais caros

Altas temperaturas reduzem a produção de hortaliças, frutas, legumes e proteínas animais, pressionando os preços nas feiras e supermercados

Ondas de calor afetam a produção e encarecem alimentos - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 27/12/2025, às 10h00

O aumento da temperatura média do planeta começa a deixar marcas visíveis na alimentação dos brasileiros. Altas temperaturas nos últimos dias não só provocam desconforto, mas também têm impacto direto nos preços de alimentos, pressionando a inflação e desafiando o orçamento das famílias.

No campo, o calor excessivo interfere no crescimento das plantas e na produção de proteínas animais. Cultivos sensíveis, como café, alface, rúcula, tomate e pimentão, sofrem com o estresse térmico.

Em algumas regiões de Minas Gerais e São Paulo, principais produtoras de café do país, áreas de cultivo podem se tornar impróprias para a colheita. Em hortaliças e legumes, temperaturas acima de 35°C provocam “abortamento de flores” e queimaduras nas folhas e frutos, reduzindo a oferta no mercado.

A produção de carne de frango e leite também sofre. Aves e bovinos enfrentam estresse calórico, que prejudica o desenvolvimento e, em casos extremos, pode levar à morte. O resultado é a diminuição da quantidade disponível desses produtos essenciais, enquanto a demanda permanece estável — uma combinação que eleva os preços nas feiras e supermercados.

Além do calor intenso, o clima irregular afeta o regime de chuvas, fundamental para o desenvolvimento das lavouras. A alternância entre períodos de seca e tempestades destrói plantações e aumenta os custos de produção, refletindo diretamente no bolso do consumidor.

Especialistas alertam que o fenômeno não é passageiro. O aquecimento global intensifica ondas de calor, secas prolongadas e tempestades extremas, tornando o clima um fator estrutural da inflação no Brasil. Com a permanência dessas condições, os alimentos perecíveis devem continuar sofrendo reajustes frequentes, impactando consumidores e produtores.

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