Valorização do grão no mercado internacional compensou redução nas exportações
Gabriela Nogueira Publicado em 21/01/2026, às 15h40
O café brasileiro encerrou 2025 com um retrato de contrastes. De um lado, o volume exportado recuou de forma significativa. Do outro, o faturamento alcançou o maior patamar da história. O balanço confirma um ano de ajustes para o setor, influenciado por fatores externos e pela valorização do produto no mercado global.
Ao longo do ano passado, o Brasil embarcou cerca de 40 milhões de sacas de café, uma queda de 20,8% em comparação com 2024. O recuo já estava no radar de produtores e exportadores, especialmente porque o ano anterior havia sido marcado por vendas excepcionais ao exterior, o que naturalmente reduziria o ritmo seguinte.
Além da base elevada de comparação, o comércio internacional foi afetado por mudanças no cenário externo. Durante parte do ano, os Estados Unidos impuseram tarifas que chegaram a 50% sobre o café brasileiro, encarecendo o produto em um de seus principais mercados. Mesmo assim, o grão nacional manteve forte presença global, chegando a 121 países, com a Alemanha liderando o ranking de destinos.
Se o volume decepcionou, o faturamento surpreendeu. A receita das exportações somou US$ 15,6 bilhões em 2025, crescimento de 24,1% e um novo recorde para o setor. A explicação está na combinação de oferta global mais restrita e preços elevados no mercado internacional, que fizeram cada saca valer muito mais do que nos anos anteriores.
Na prática, o ganho de valor compensou com folga a redução no número de sacas vendidas. Para o produtor, o cenário trouxe algum alívio em meio a custos elevados e incertezas climáticas, enquanto para o país reforçou o peso do café na balança comercial.
Um destaque à parte vem de Minas Gerais. Responsável por quase metade da produção nacional, o estado colhe mais café do que qualquer outro país do mundo, consolidando sua posição como o coração da cafeicultura brasileira e um dos principais pilares desse resultado histórico.