Reorganização financeira

BRB decide vender carteira bilionária adquirida do Banco Master

Instituição negocia ativos avaliados em R$ 21,9 bilhões e busca reforçar liquidez após investigações

BRB planeja alternativas de capital, como um Fundo de Investimento Imobiliário, para evitar aporte do Governo do DF após a venda - Imagem: Reprodução/Joédson Alves/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 04/02/2026, às 09h17

O Banco de Brasília (BRB) decidiu colocar à venda toda a carteira adquirida do Banco Master, avaliada em R$ 21,9 bilhões. A informação foi confirmada pelo presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, que afirmou que a medida faz parte de um processo de fortalecimento financeiro e preservação dos recursos dos clientes e do controlador.

A negociação dos ativos será conduzida diretamente pelo presidente do banco, que se reúne nesta quarta-feira (4), na região da Faria Lima, em São Paulo, com potenciais compradores. O pacote inclui carteiras de atacado, pessoas físicas e fundos, além de imóveis incorporados à operação. Um dos bens colocados à venda é um terreno localizado na Marginal Pinheiros, próximo à Casa Fasano e ao complexo Cidade Jardim.

A operação é conduzida pela BRB Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (BRB DTVM). Segundo Souza, o banco atua para garantir liquidez, capitalização e transparência, destacando que a atual gestão assumiu após a deflagração da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades envolvendo as carteiras adquiridas.

Paralelamente, o BRB elabora um plano de capital que prevê alternativas como a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) e a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). De acordo com o presidente, caso a venda dos ativos seja concretizada, não será necessário aporte do Governo do Distrito Federal.

O Banco Central determinou o provisionamento de R$ 2,6 bilhões para cobrir possíveis fraudes relacionadas às carteiras compradas do Banco Master. Em nota, o BRB informou que já liquidou ou substituiu R$ 10 bilhões dos R$ 12 bilhões pagos em ativos suspeitos de inexistência. O caso segue sob investigação da Polícia Federal.

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