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Brasileiros destinaram mais de R$ 68 bilhões a plataformas de apostas online, aponta CNC

O estado de São Paulo é identificado como o mais afetado pela fuga de capital para as apostas online, contabilizando perdas fiscais na ordem de R$ 1,8 bilhão

Brasileiros destinaram mais de R$ 68 bilhões a plataformas de apostas online, aponta CNC - Imagem: Reprodução / Freepik

William Oliveira Publicado em 12/11/2024, às 09h34

Um estudo recentemente divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelou que os brasileiros já investiram aproximadamente R$ 68 bilhões em plataformas de apostas online em 2024. A análise, apresentada na última segunda-feira (11), destaca que esse volume de recursos está causando impactos negativos na economia nacional.

A CNC aponta que, caso esses montantes fossem redirecionados para o consumo familiar tradicional, o Valor Bruto de Produção (VBP) poderia registrar um incremento de até R$ 111 bilhões, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) experimentaria um acréscimo de R$ 55 bilhões. Além disso, haveria a geração de R$ 5 bilhões adicionais em receitas tributárias.

O estado de São Paulo é identificado como o mais afetado pela fuga de capital para as apostas online, contabilizando perdas fiscais na ordem de R$ 1,8 bilhão. Outros estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, também estão entre os mais impactados.

Outro ponto crítico destacado pela CNC é o aumento preocupante do endividamento familiar, impulsionado pelo crescimento das apostas. No primeiro semestre de 2024, estima-se que 1,3 milhão de brasileiros tenham se tornado inadimplentes devido ao vício em jogos de azar, comprometendo a saúde financeira e restringindo o poder aquisitivo.

O economista Felipe Tavares ressalta que essa situação é alarmante não apenas pelo descontrole nos gastos com apostas e a consequente elevação da inadimplência, mas também pelo contexto econômico de alta nos juros, que agrava ainda mais a pressão sobre os orçamentos familiares. O Brasil enfrenta um ciclo ascendente de juros, intensificando os níveis de inadimplência.

"Modalidades como crédito pessoal consignado e parcelamento no cartão de crédito são as mais afetadas, refletindo a vulnerabilidade dos consumidores frente às apostas e ao endividamento descontrolado", afirmou Tavares.

Em resposta a essa situação crítica, a CNC solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da chamada Lei das Bets e a criação de um marco regulatório sólido para as apostas online. Uma regulamentação adequada não só facilitaria a arrecadação fiscal, mas também poderia financiar programas sociais e iniciativas voltadas para o combate à dependência em jogos de azar, promovendo uma economia mais estável e equilibrada.

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