Documentos mostram que autoridade monetária já via problemas graves de liquidez no Banco Máxima, origem do atual Banco Master.
Redação Publicado em 16/04/2026, às 09h10
Documentos do Banco Central do Brasil revelam que a instituição já havia identificado riscos elevados no chamado “embrião” do Banco Master anos antes da liquidação da instituição.
De acordo com análises internas obtidas pela reportagem, o antigo Banco Máxima — posteriormente transformado no Master — apresentava fragilidades estruturais, baixa liquidez e assumia riscos superiores à sua capacidade de controle já em 2020.
O alerta foi direcionado ao banqueiro Daniel Vorcaro, que liderava o processo de aquisição e reestruturação da instituição. Na avaliação do Banco Central, o banco poderia, inclusive, ser submetido à liquidação extrajudicial caso não adotasse medidas corretivas urgentes.
A análise técnica considerou fatores como a saúde financeira, o nível de exposição a riscos e a eficiência dos controles internos. Ao final do processo de supervisão, o banco recebeu nota “3-” em uma escala que vai até 4 — quanto mais próximo do topo, pior a avaliação.
Segundo os relatórios, mesmo após aporte de cerca de R$ 150 milhões e mudanças na estrutura da instituição, os problemas persistiram. O Banco Central apontou que as medidas adotadas não foram suficientes para garantir estabilidade, destacando uma relação inadequada entre captação de recursos e patrimônio.
Além disso, já havia registros anteriores de irregularidades. Em 2018, o órgão regulador notificou o banco por descumprir limites de exposição de crédito por cliente, o que reforçou a preocupação com a gestão de riscos.
Apesar dos alertas, a aquisição do Banco Máxima foi autorizada em 2019. Após a reestruturação, a instituição passou a operar sob o nome Banco Master.
Anos depois, diante de uma crise de liquidez considerada “crônica”, o Banco Central decretou a liquidação da instituição, em novembro de 2025.
Os documentos agora enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado levantam questionamentos sobre a atuação do órgão regulador e as decisões que permitiram a continuidade das operações mesmo diante de sinais de instabilidade.
Procurados, tanto o Banco Central quanto a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram até a publicação desta reportagem.