Fatores como aumento do IOF e melhorias na arrecadação previdenciária contribuíram para os resultados positivos deste ano
Gabriela Thier Publicado em 22/12/2025, às 19h23
Dados divulgados nesta segunda-feira (22) pela Receita Federal revelam que a arrecadação da União com tributos e outras receitas atingiu um marco histórico em novembro, totalizando R$226,75 bilhões. Este resultado representa um crescimento real de 3,75% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, considerando a inflação, conforme medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Além do desempenho mensal notável, o acumulado de arrecadação entre janeiro e novembro também se destacou, alcançando R$2,59 trilhões. Esse valor reflete um aumento real de 3,25%, corrigido pela inflação, consolidando o melhor desempenho para este período nos registros da Receita Federal.
As informações sobre a arrecadação podem ser consultadas no site oficial da Receita Federal. Os números apresentados referem-se a tributos federais, incluindo Imposto de Renda (IR) tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, receita previdenciária, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e as contribuições do Programa de Integração Social/Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins), entre outros. Também são contabilizadas receitas provenientes de royalties e depósitos judiciais, que não são diretamente apurados pelo órgão.
No que diz respeito às receitas administradas pela Receita Federal, o montante arrecadado em novembro foi de R$214,39 bilhões, resultando em um incremento real de 1,06%. Para o total acumulado no ano até agora, os números indicam uma arrecadação de R$2,47 trilhões, apresentando um crescimento real de 3,9%.
Entretanto, é importante notar que o comparativo do acumulado até novembro é influenciado por eventos extraordinários e mudanças na legislação ocorridas em 2024 que não têm equivalentes em 2025. Um exemplo significativo é o recolhimento extra de R$ 13 bilhões do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) relacionado aos rendimentos de capital e à tributação de fundos exclusivos, um fator que não se repetiu este ano. A alteração na legislação referente ao IR incidente sobre fundos de investimentos fechados e rendimentos obtidos no exterior foi sancionada em dezembro de 2023.
Adicionalmente, a arrecadação atípica observada no Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e na Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), impostos que incidem sobre os lucros das empresas, também merece destaque. No intervalo de janeiro a novembro de 2024, houve um recolhimento extra de R$4 bilhões nesse sentido, enquanto neste ano o total foi reduzido a R$3 bilhões. "Desconsiderando esses pagamentos atípicos, a arrecadação teria apresentado um crescimento real de 4,51% no período comparativo", informou a Receita Federal.
Destaques do Ano
Os resultados positivos foram impulsionados por uma série de variáveis macroeconômicas favoráveis relacionadas ao desempenho da atividade econômica, especialmente no setor de serviços; pelo aumento do IOF; e pela melhoria na arrecadação previdenciária devido ao crescimento da massa salarial. O PIS/Cofins também teve um bom desempenho, especialmente devido ao aumento na taxação dos serviços relacionados a apostas online.
O IOF registrou uma arrecadação total de R$77,55 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, marcando uma alta significativa de 19,88% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. A Receita Federal explicou que essa arrecadação pode ser atribuída principalmente às operações envolvendo saída de moeda estrangeira e créditos destinados a pessoas jurídicas.
Além disso, mudanças legislativas implementadas em junho deste ano aumentaram temporariamente as taxas sobre algumas operações de crédito através do Decreto 12.499/2025; no entanto, essa medida foi posteriormente revogada.
Ao longo do ano corrente, os tributos relacionados ao comércio exterior apresentaram um crescimento real de 11,01%, enquanto a arrecadação sobre rendimentos provenientes do exterior teve um aumento expressivo de 15,39%. Este último componente é conhecido por sua volatilidade e tem surpreendido positivamente neste ano.
A receita com PIS/Cofins atingiu R$528,85 bilhões entre janeiro e novembro deste ano, apresentando uma elevação de 2,79% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. Notavelmente, as receitas oriundas das casas de apostas virtuais aumentaram mais de 14.000%, passando de R$62 milhões para impressionantes R$8,82 bilhões no total acumulado até agora.
Ainda que os dados indiquem recordes nos primeiros meses do ano fiscal atual, há sinais claros de desaceleração nas atividades econômicas. Por exemplo, a arrecadação referente ao IRPJ/CSLL teve uma alta modesta de apenas 1,44%, enquanto o IPI cresceu apenas 0,57%, refletindo uma atividade industrial que se manteve praticamente estável durante este período.