Claudicir Brazilino Picolo Publicado em 12/06/2025, às 10h06
A escola, esse espaço de encontros, sonhos e aprendizados, vem emitindo sinais de esgotamento. Nos corredores e salas de aula, o silêncio de alunos retraídos, o choro contido de professores, os conflitos velados entre colegas e a falta de empatia entre membros da comunidade escolar gritam por atenção. Estamos diante de uma epidemia silenciosa: o adoecimento emocional que atinge estudantes e profissionais da educação.
O clima escolar como termômetro emocional
Muito se fala de desempenho acadêmico e índices de aprovação. Pouco se discute, no entanto, sobre o clima escolar — aquele ambiente afetivo, ético e relacional que molda a experiência educacional. Quando esse clima é tóxico, a escola se torna um terreno hostil, e não um espaço de pertencimento.
Professores pressionados por metas inalcançáveis, expostos a julgamentos constantes e pouco valorizados, adoecem em silêncio. Estudantes, por sua vez, convivem com o bullying, a invisibilidade e a ansiedade constante de “dar conta”. Muitos se escondem atrás das telas, buscando na tecnologia uma fuga para o desconforto que sentem no convívio presencial. Há uma geração inteira lidando com o sofrimento por meio do isolamento digital — silencioso, mas profundo.
A escola, ao falhar em oferecer escuta, acolhimento e respeito às diferenças, deixa de ser lugar de proteção e passa a ser um espaço de sofrimento psíquico.
Ética e convivência: o que (des)aprendemos no cotidiano?
O clima relacional entre os sujeitos escolares é pautado em valores — ou na ausência deles. A ética da convivência deveria ser ensinada com o mesmo rigor com que ensinamos equações e gramática. Respeito, escuta ativa, empatia e justiça são competências socioemocionais tão fundamentais quanto saber interpretar um texto.
Infelizmente, o que se vê em muitas instituições é a negligência dessas dimensões humanas. Quando o “conviver” é negligenciado, surgem os conflitos, o desrespeito e o isolamento — combustíveis para o sofrimento mental.
Precisamos urgentemente falar sobre isso
A saúde mental não é luxo. É condição básica para o aprendizado, o desenvolvimento e a permanência na escola. Sem saúde emocional, não há motivação, criatividade ou resiliência que resistam. A escola precisa se reinventar como espaço de cuidado e vínculo, onde a escuta ativa e o acolhimento sejam práticas pedagógicas permanentes.
Não se trata apenas de oferecer palestras ou ações pontuais. É preciso transformar as rotinas institucionais, fortalecer a formação continuada de educadores com foco em saúde emocional e criar protocolos de acolhimento reais e eficazes.
Por uma cultura do cuidado
A cultura escolar precisa mudar. É urgente instaurar uma cultura do cuidado, que vá além do discurso e se traduza em ações concretas: rodas de escuta, projetos de mediação de conflitos, inclusão de temáticas socioemocionais no currículo, além de espaços seguros para que educadores também sejam acolhidos.
Que este seja o início de um novo tempo em que possamos, semanalmente, discutir a escola como espaço de vida — e não de adoecimento.
Afinal, quem cuida da escola precisa, também, ser cuidado.