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Marcus Vinicius de Freitas

Marcus Vinicius de Freitas: Os desafios globais da humanidade

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Marcus Vinicius de Freitas: Os desafios globais da humanidade

Os desafios globais da humanidade

Marcus Vinicius de Freitas

A pandemia da Covid-19 foi um exemplo recente de um dos grandes desafios globais enfrentados pela humanidade e que, considerando a forma como foi tratada pelos governos, poderia ser analisada como um caso de sucesso e fracasso ao mesmo tempo. Constituiu um sucesso pois a ciência conseguiu produzir vacinas em tempo recorde. Tratou-se de um fracasso porque revelou o elevado nível de despreparo de muitos governos na reação à pandemia. Alguns governos se saíram melhor que outros, embora tenha ficado evidente que o cenário global é preocupante quanto à solução de crises que necessitem de cooperação.

Observamos, também, um nível elevado de mesquinhez de alguns dos países mais ricos do sistema global aoadquirirem enomes quantidades de vacinas, muitosuperiores ao total de suas populações, sem levar em consideração a necessidade de outras regiões carentes do globo que se viram impossibilitadas de adquirir doses para atender suas demandas, num temerário reconhecimento de que o valor das vidas difere dependendo do local em que se nasce. A Covid-19, que deveria ter revelado o melhor da humanidade – e o fez em certas circunstâncias – também mostrou o seu pior. Pandemias – que serão cada vez mais recorrentes à medida que ocorre maior integração global – não constituem o único dos desafios globais que enfrentamos. Há outros, cada vez mais presentes, que, infelizmente, os agentes públicos parecem ignorar.

Sem dúvida, alguns dos maiores desafios globais estão relacionados ao meio ambiente, seja pela questão da mudança climática, preservação da biodiversidade e vida animal, mas, principalmente, pela água, que é o recurso do qual mais dependemos e que subestimamos na forma de tratar e preservar. O Brasil, que é um país com enorme potencial hídrico, poderia, facilmente, transformar-se num dos grandes fornecedores globais deste bem escasso. À medida que os fenômenos climáticos ocorrem, a água se transformará num fator determinante de futuros enfrentamentos e guerras. A forma como um país trata os seus rios e recursos hídricos, por certo, determinará a sua relevância estratégica num cenário de maior escassez de água.

Outro grande desafio global é a segurança alimentícia, não somente no acesso a alimentos, mas na qualidade nutricional. Embora haja maior abundância de alimentos globalmente, a qualidade vem diminuindo drasticamente, em razão das novas tecnologias aplicadas que, se por um lado, alimentam, porém não nutrem, a população, com impacto no desenvolvimento físico, intelectual e até emocional. Notamos, ainda, a existência de um deslocamento na produção de certos alimentos para commodities de maior valor no mercado, prejudicando, no médio e longo prazos, a variedade de acesso a alimentos essenciais.

As armas nucleares e de destruição em massa constituem uma preocupação coletiva. Num mundo em que se observa uma transição no eixo do poder do Atlântico para o Pacífico, com uma China em ascensão e os Estados Unidos em declínio, uma nova corrida armamentista e conflitos por procuração – quando dois países utilizam de terceiros substitutos para não lutarem diretamente poderão tornar-se uma realidade semelhante ao período da Guerra Fria. A China já afirmou, muitas vezes, que não pretende seguir a cartilha soviética neste sentido. Este tipo de cenário pode forçar alinhamentos, que, se forem equivocados, por parte de países como o Brasil, poderão impactar substancialmente seus interesses futuros.

A lista de desafios é grande. O maior erro consiste – reafirme-se – na falha de os governos compreenderem a seriedade de tais assuntos e falharem em agir para, preventivamente, evitá-los ou reduzir seu impacto. A pandemia da Covid-19 deveria servir de alerta aos agentes públicos brasileiros, mas principalmente, aos eleitores. Será que os candidatos têm capacidade para enfrentar esses desafios? Errar é caríssimo e fatal. E estaremos sós. Esta é a grande lição da Covid-19.

Marcus Vinicius de FreitasAdvogado e Professor Visitante, Universidade de Relações Exteriores da China

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