Lyman, importante centro ferroviário, vem sofrendo ataques constantes no último mês. Reino Unido afirmou que Rússia avança lentamente mas com conquistas palpáveis no leste do país vizinho

Redação Publicado em 27/05/2022, às 00h00 - Atualizado às 11h26
Aliados separatistas da Rússia no leste da Ucrânia reivindicaram o controle total da importante cidade de Lyman, nesta sexta-feira (27), e a Ucrânia pareceu ceder. Se confirmado, este é o maior avanço russo no país vizinho em semanas.
Lyman, local de um importante centro ferroviário, tem sido um alvo da linha de frente enquanto as forças russas pressionam a partir do norte, uma das três direções de onde atacam a região industrial de Donbas, na Ucrânia. Os separatistas pró-Rússia da República Popular de Donetsk disseram que agora estão no controle total.
Oleksiy Arestovych, assessor do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, pareceu confirmar a queda de Lyman em uma entrevista publicada nas redes sociais durante a noite, e disse que a batalha mostra que Moscou está melhorando suas táticas.
“De acordo com dados não verificados, perdemos a cidade de Lyman”, disse Arestovych no vídeo, acrescentando que o ataque foi bem organizado. “Isso mostra, em princípio, o aumento do nível de gerenciamento operacional e habilidades táticas do Exército russo.”
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O governador ucraniano da região de Donetsk, Pavlo Kyrylenko, disse ao meio de comunicação Hromadske que Lyman era “controlada principalmente por tropas russas”, mas os militares ucranianos assumiram novas posições fortificadas na área.
Depois de serem expulsas da capital Kiev em março e dos arredores da segunda maior cidade, Kharkiv, no início deste mês, as forças russas estão realizando seu maior avanço em semanas na região de Donbas, no leste do país. Analistas militares ocidentais dizem que o sucesso pode preparar o terreno para um conflito prolongado.

Na parte mais oriental do bolsão ucraniano, as forças russas estão tentando cercar as tropas ucranianas nas cidades de Sievierodonetsk e Lyshchansk, depois de romper as linhas ucranianas mais ao sul na cidade de Popasna na semana passada.
Popasna, cidade em território controlado pela Rússia onde jornalistas da agência de notícias Reuters estiveram na quinta-feira (26), era um deserto devastado de edifícios queimados e prédios municipais destruídos. Tanques russos e outros veículos militares rasgavam as ruas repletas de escombros levantando poeira, e helicópteros de ataque voavam baixo. O corpo inchado de um homem morto em uniforme de combate jazia em um pátio.
Natalia Kovalenko havia finalmente saído do porão onde estava abrigada nos últimos dias para dormir em meio aos destroços de seu próprio apartamento. A sacada e as janelas foram atingidas diretamente por um projétil.
Ela olhava melancolicamente para o pátio destruído, contando como duas pessoas foram mortas lá e oito feridas por um projétil quando saíram para cozinhar. Dentro de seu apartamento, a cozinha e a sala de estar estavam cheias de escombros, mas ela arrumou um pequeno quarto para dormir. Ela estava cansada de ficar presa no porão com cães e gatos.
“Eu só tenho que consertar a janela de alguma forma. O vento ainda está ruim. Frio à noite”, disse ela. “Estamos cansados de ter tanto medo. Tão cansados.”
Forças terrestres russas já capturaram várias localidades a noroeste de Popasna, disse o Ministério da Defesa britânico.
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